Nicéa mostra nova prova contra Pitta
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quarta-feira, 17 de maio de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Desafiada a apresentar provas das denúncias que faz contra seu ex-marido, Nicéa Pitta entregou ontem à comissão que analisa pedido de impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), uma agenda com anotações do prefeito que supostamente provariam a existência de um esquema de pagamento de propina a vereadores.
Infelizmente tenho essas provas. Infelizmente porque é doloroso (ter as provas), disse a ex-primeira-dama ao passar a um assessor da comissão uma agenda de capa preta de 97, supostamente do prefeito paulistano.
Em uma das anotações da agenda, o prefeito teria relacionado o nome de oito vereadores que tinham cargo na Câmara na época - todos da base que dava sustentação ao prefeito no Legislativo.
Na agenda, aparecem números que, segundo Nicéa, correspondem à propina que eles teriam recebido. Os valores supostamente vão de R$ 60 mil a R$ 130 mil.
Os nomes que aparecem na agenda são dos vereadores Antônio Goulart (PMDB), Mário Dias (PPB) e de Armando Mellão (PMDB), presidente da Câmara, e Brasil Vita (PPB), que continuam na Câmara.
Também aparecem na agenda os ex-vereadores Nelo Rodolfo (PMDB), José Índio (PMDB), Maeli Vergniano e Hanna Garib.
Rodolfo e Índio são atualmente deputados federais, mas, no Legislativo paulistano, integravam a base governista de Pitta. Maeli foi cassada na Câmara no ano passado. Garib também perdeu o cargo de deputado estadual depois de deixar, em 99, sua vaga na Câmara.
Acho um absurdo isso tudo. O pior é que estão dando guarida a isso, disse o vereador Vita ontem que, como os outras que aparecem na agenda, nega o pagamento de propina.
Em outro trecho da agenda, Pitta teria programado um jantar com vereadores. Segundo a ex-primeira-dama, um número que aparece na anotação representaria a quantia de R$ 1,5 milhão. O valor teria sido pago por Pitta e dividido entre parlamentares governistas.
O jantar teria ocorrido em 20 de março de 97. Dois dias antes, vereadores governistas tinham vetado na Câmara a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar suposta irregularidade no pagamento de precatórios na Prefeitura de São Paulo. A apuração havia sido proposta pelo vereador José Eduardo Cardozo, líder do PT na Câmara.
Apesar de ter apresentado a agenda como suposta prova das denúncias que faz, Nicéa não pôde se manifestar sobre o caso.
Os advogados de defesa, que acompanhavam ontem o depoimento de Nicéa à comissão de impeachment, alegaram que a ex-primeira-dama não poderia falar a respeito de provas que não constavam antes do processo.


