O governo do Estado do Paraná deu ontem mais um passo decisivo para a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), processo que estava relegado a segundo plano pela administração desde o final do ano passado. Pela manhã, antes de embarcar para Brasília (ver ao lado), o governador Jaime Lerner (PFL) assinou o decreto que cria o Conselho de Desestatização da Copel. O ex-governador Ney Braga, atual presidente do Conselho de Administração da companhia, foi indicado presidente do conselho.
Pelo regulamento do grupo, todo o processo de venda da empresa estatal de produção de energia paranaense terá de contar com a aprovação dos cinco membros do conselho. Eles opinarão sobre o preço de venda da empresa, cronograma de execução e processos de cisão e fusão de sociedades ligadas à empresa.
Cabe ainda ao grupo acompanhar o trabalho dos consultores, que apresentarão as regras de procedimentos para realizar a privatização. A comissão é que aceitará ou não os valores que serão estipulados para a venda da empresa, que deve ser feita no primeiro semestre do ano que vem.
Outra função do grupo, que é formado ainda pelos secretários Alex Beltrão (Assuntos Estratégicos), Giovani Gionédis (Fazenda), Miguel Salomão (Planejamento) e Reinhold Stephanes (presidente do Banestado), será preparar os funcionários para a mudança de dono.
A comissão terá também de tornar a privatização um processo mais simpático à população, que vê, na companhia, uma das mais sólidas empresas do Estado. A designação do ex-governador e ex-ministro Ney Braga como presidente do conselho não deixa de ser uma estratégia política do governo para tornar aceitável a venda da empresa. Ney Braga foi um dos governadores que mais estruturaram a Copel.
O processo de privatização da companhia estava em compasso de espera desde a explosão da segunda crise mundial nas bolsas de valores, no final do ano passado. A ruidosa queda nas bolsas asiáticas derrubou também as ações no mercado financeiro nacional. As ações da Copel seguiram o mesmo caminho. Comercializadas na Bolsa de Valores de São Paulo, caíram para R$ 7,00 o lote de mil (metade do preço registrado meses antes), deixando em alerta a Secretaria da Fazenda - e toda a administração paranaense.
O secretário Giovani Gionédis, da Fazenda, disse que a solução foi dar uma pausa nas negociações com o BNDESPar - instituição ligada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e responsável pela definição da venda das ações da Copel. ‘‘Não chegamos a um acordo com o BNDESPar, em dezembro do ano passado, porque o mercado estava muito tumultuado. Somente agora podemos retomar a privatização da Copel’’, afirmou Gionédis.
Gionédis acrescentou, no entanto, que o processo poderá ser adiado a qualquer momento caso o mercado financeiro volte a ficar ‘‘turbulento’’. O secretário estadual avalia que o caminho natural é manter o BNDESPar como a empresa que fará toda a modelagem do processo de privatização da Copel, mas há a possibilidade de se contratar uma empresa avaliadora, como ocorre no Banestado.
O balanço da companhia, publicado no mês passado, apontou um lucro líquido de R$ 403,6 milhões contra um resultado positivo de R$ 300 milhões registrado no balanço do ano passado. A empresa tem um patrimônio líquido de R$ 4,4 bilhões.
Mesmo com estes números positivos, a diretoria da Copel e o governo do Estado passaram a defender a venda da empresa se baseando no exemplo de outros Estados. O presidente da Copel, Ingo Hubert, tem declarado que seria impossível manter a empresa competitiva em relação às empresas privadas, que não estão sujeitas às amarras impostas pelas regras dos governos. Entre os entraves, Hubert cita a Lei de Licitação que torna morosas as decisões numa empresa estatal.
A Copel é considerada a principal empresa do governo do Estado e era tida como uma empresa que jamais passaria para as mãos da iniciativa privada, durante os três primeiros anos do governo Lerner. O próprio governador chegou a declarar que a Copel ‘‘não seria privatizada em seu governo’’.

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