O The New York Times publicou em sua edição de ontem artigo criticando os gastos do governo brasileiro, no momento em que são anunciadas medidas de austeridade e o país busca ajuda financeira do FMI.
Entitulado ‘‘Pão seco para o Brasil e geléia para seus legisladores’’, o artigo cita a viagem do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, a Madri para obter o adiantamento de US$ 3 bilhões devidos pela Telefónica SA pela aquisição de uma das empresas cindidas da Telebrás. ‘‘Mas de volta para casa’’, diz o artigo, ‘‘Mendonça de Barros recebeu quatro tapetes persas kilim para decorar seu escritório, pondo na conta do governo US$ 4 mil.
‘‘Este é um montante modesto’’, segue o NYT, ‘‘comparado aos US$ 38 mil que a Suprema Corte, a qual provavelmente terá que decidir sobre uma série de sacrifícios que os brasileiros serão convocados a realizar em nome da austeridade, pagou por tapetes persas poucos meses antes’’.
O NYT cita ainda gastos realizados pelo Tribunal Regional Federal em Pernambuco que ‘‘comprou US$ 6,5 mil em peças decorativas, incluindo vasos de madeira e cestas de frutas custando US$ 500,00 cada’’. ‘‘Aqui em Brasília’’, de onde a jornalista Diana Jean Schemo escreveu o artigo, ‘‘o Congresso está gastando US$ 1 milhão para construir um fosso em volta de si mesmo’’.
O artigo critica também os pagamentos especiais aos deputados e senadores pelas sessões extraordinárias do Congresso para votar os cortes nos gastos e elevação dos impostos.
Escândalo O jornal ‘‘The Wall Street Journal’’ publicou matéria ontem sobre as acusações de que o presidente Fernando Henrique Cardoso e ‘‘vários aliados políticos próximos’’ tem contas bancárias nas Ilhas Cayman, notório paraíso fiscal. De acordo com o ’Journal’, as acusações estão distraindo a atenção das tentativas do presidente de recuperar a economia brasileira.

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