O ex-superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) Osvaldo Moreira Neto disse ontem que ignorava a existência de investigações sobre a venda irregular de jazigos, iniciadas em novembro de 2007 - conforme relatou o prefeito Nedson Micheleti (PT) no início da semana. ''Ouvi essa declaração do prefeito e fiquei surpreso, não tinha conhecimento disso'', afirmou à FOLHA, em entrevista concedida na sede do Grupo Especializado de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), onde depôs ontem.
Na segunda-feira, ao empossar a nova chefe da autarquia, Micheleti fez questão de frisar que as investigações da Controladoria do Município no órgão tiveram início a partir de denúncias sobre o comércio de terrenos em cemitérios, e que só mais tarde vieram à tona irregularidades na oferta do serviço de tanatopraxia (conservação de cadáveres). Na ocasião, o prefeito afirmou que ''não há ainda nenhum indício que aponte responsabilidade do ex-superintendente''.
Questionado se acredita que não foi informado das diligências porque também era considerado suspeito, Neto respondeu: ''Pode ser que sim, já que isso vinha desde novembro (de 2007) e eu fiquei sabendo somente agora em abril''.
O ex-superintendente lembrou que, no ano passado, recebeu duas reclamações por escrito de pessoas que teriam se sentido forçadas a adquirir o serviço de tanatopraxia. Ele disse que se reuniu com preparadores de cadáver e atendentes da Acesf - encontro registrado em ata -, que teriam negado a acusação. ''Conversei com o controlador, mas como tínhamos apenas duas (denúncias), acabou não sendo feito nada. Eu queria acreditar no bom intento dos nossos servidores, que são antigos e prestam um serviço elogiado'', afirmou. Segundo Neto, a prática no órgão era apenas orientar a família do falecido sobre a necessidade ou não de fazer a tanatopraxia e, caso ela aceitasse o serviço, ''o funcionário chamava a empresa''.
Ainda conforme Neto, as duas empresas que realizam esse trabalho na cidade fizeram um acordo entre elas ''para não haver briga de corpos'': cada uma trabalhava 12 horas por dia, em turnos alternados, ''porque elas praticavam o mesmo preço''. Sobre o fato de o valor acabar sendo maior do que o praticado em outras cidades, ele disse que ''é uma concorrência, não cabe à Acesf regulamentar preço''.
O atual tesoureiro do Partido da República - pelo qual havia sido indicado ao cargo na administração municipal - negou que tenha recebido dinheiro de empresas. Sobre a venda irregular de jazigos, observou que existe uma lei de 2000 que permite a transferência de terrenos entre terceiros. ''Isso era cotidiano, mas nunca envolveu a Acesf'', alegou, acrescentando que a autarquia ''tem 90 funcionários e nem tudo chega ao conhecimento do superintendente''.
Neto também garantiu que não apagou nenhum arquivo referente ao órgão do computador que usava no escritório - como afirma o Gaeco. ''No dia que saí, apaguei arquivos pessoais meus, coisas de powerpoint, mensagens. Não apaguei nada que fosse da Acesf, e seria até uma incoerência minha fazer isso, já que a máquina é ligada ao servidor da prefeitura. Eu posso apagar do meu HD, mas fica tudo no servidor'', assegurou.

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