Neto de Arraes faz banco paralisar atividades no Recife
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de outubro de 1997
Agência Estado Recife 
Há dez dias, as agências do Banco do Nordeste (BN) no Recife estão paralisadas por causa de um conflito judicial entre a instituição e o advogado Antonio Campos - neto do governador Miguel Arraes e irmão do secretário estadual da Fazenda, Eduardo Campos. As agências limitam-se a fornecer extratos e saldos e a receber pagamentos em cheque, enquanto o pagamento de aposentados foi transferido para o município metropolitano de Paulista.
A estratégia - não admitida pelo banco, que alega problemas operacionais no sistema de automação para explicar a inexistência de dinheiro nas agências - visa o não-cumprimento de uma ação de penhora e remoção de recursos no valor de R$ 571 mil, referentes a honorários advocatícios de Antonio Campos. Ele defendeu a empresa Veneza Veículos numa ação que o banco moveu contra a mesma e perdeu pelo não-cumprimento de prazos durante a tramitação do processo.
Em uma nota ao público, o BN estranha a sentença e afirma estar tentando reverter o processo porque se considera credor e não devedor da Veneza Veículos. A empresa contraiu um empréstimo de R$ 1 milhão no BN em 1995 e não pagou o débito. De acordo com a nota, o banco moveu uma ação para conseguir o pagamento do débito, a qual tramitava na 12ª Vara Cível, quando um repentino despacho do juiz Sílvio Beltrão a extinguiu e condenou a instituição a pagar a vultosa quantia ao advogado.
O banco está tentando transferir a questão para a Justiça Federal e recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ) de Pernambuco pedindo a suspensão da ação de penhora. O recurso só deverá ser julgado nesta semana.


