Há dez dias, as agências do Banco do Nordeste (BN) no Recife estão paralisadas por causa de um conflito judicial entre a instituição e o advogado Antonio Campos - neto do governador Miguel Arraes e irmão do secretário estadual da Fazenda, Eduardo Campos. As agências limitam-se a fornecer extratos e saldos e a receber pagamentos em cheque, enquanto o pagamento de aposentados foi transferido para o município metropolitano de Paulista.
A estratégia - não admitida pelo banco, que alega problemas operacionais no sistema de automação para explicar a inexistência de dinheiro nas agências - visa o não-cumprimento de uma ação de penhora e remoção de recursos no valor de R$ 571 mil, referentes a honorários advocatícios de Antonio Campos. Ele defendeu a empresa Veneza Veículos numa ação que o banco moveu contra a mesma e perdeu pelo não-cumprimento de prazos durante a tramitação do processo.
Em uma nota ao público, o BN estranha a sentença e afirma estar tentando reverter o processo porque se considera credor e não devedor da Veneza Veículos. A empresa contraiu um empréstimo de R$ 1 milhão no BN em 1995 e não pagou o débito. De acordo com a nota, o banco moveu uma ação para conseguir o pagamento do débito, a qual tramitava na 12ª Vara Cível, quando ‘‘um repentino despacho’’ do juiz Sílvio Beltrão a extinguiu e condenou a instituição a pagar a ‘‘vultosa quantia’’ ao advogado.
O banco está tentando transferir a questão para a Justiça Federal e recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ) de Pernambuco pedindo a suspensão da ação de penhora. O recurso só deverá ser julgado nesta semana.

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