São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que nenhum prefeito receberá neste ano menos recursos do que recebeu no ano passado do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). As informações são da Agência Brasil.
''O ano passado foi primoroso para o FPM, assim como foram os últimos cinco anos. As prefeituras se acostumaram com crescimentos extraordinários e, com a crise, se assustaram. Só que, neste momento, todos têm que repartir prejuízos. O governo federal está perdendo também. Só que tomamos medidas que nenhum prefeito esperava, que é garantir os recursos de 2008 e repor, mês a mês, o que necessitar'', disse Lula ao visitar a unidade de produção de papéis para embalagem da Klabin, em Telêmaco Borba (PR).
Anteontem, o governo anunciou um reforço de até R$ 1 bilhão para compensar as perdas nos repasses do FPM. O governo prevê que esse é o tamanho do impacto da crise financeira internacional para os municípios. Segundo o presidente, a manutenção do volume de recursos repassado foi garantida porque há o entendimento de que é na prefeitura de cada município que chegam os primeiros problemas de um cidadão. ''Agora, perguntem a cada prefeito se, nos últimos dez anos, eles receberam a quantia de recursos dos últimos cinco anos'', disse Lula. ''Quando essa crise for debelada, podem acreditar, o Brasil vai dar um salto de qualidade em todos os setores, e na frente de muitos países'', afirmou.
Servidores
O presidente criticou a ineficiência e burocracia do setor público e disse que os servidores públicos ganham mal. Lula disse que a máquina pública é extraordinária porque tem técnicos qualificados. ''O que é caro no Brasil não é máquina é a ineficiência'', afirmou.
''Ao contrário do que muita gente fala, a minha surpresa é que a máquina pública brasileira, do ponto de vista da formação e da qualificação, é uma máquina pública extraordinária'', afirmou o presidente.
Lula disse que, ao contrário da ideia de que todo servidor é ''marajá'', as instituições brasileiras têm técnicos qualificados que ganham mal.
O presidente citou o caso de um técnico da Petrobras que, segundo ele, ganhava R$ 26 mil por mês e foi contratado por uma empresa privada para ganhar R$ 400 mil por mês com dois anos de salário adiantado. ''E eu achava que ele ganhava muito'', disse.

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