Brasília Dentro do governo ganha espaço uma corrente de pensamento que defende um Estado forte, capaz de influenciar o desenvolvimento da economia para a geração de empregos e a redução das desigualdades sociais, o aumento das exportações e a transferência de tecnologia, além de dar novos rumos a iniciativas que deveriam ser da sociedade. Para a oposição, trata-se de dirigismo por parte do governo, seja nos setores culturais, como o da criação da Agência de Cinema e Audiovisual (Ancinav), seja no dos profissionais liberais, como a proposta do Conselho Federal de Jornalismo (CNJ) . ''É o neonacionalismo'', afirma o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). ''Esse sistema procura, dentro do processo democrático, incluir práticas autoritárias.''
''De fato, somos nacionalistas. Não posso dizer se neo ou só nacionalistas'', responde o deputado Ricardo Zarattini Filho (PT-SP), um dos integrantes do grupo. ''Temos de ter uma visão estratégica de mundo.'' Segundo ele, não dá para ''abrir duas frentes de combate: uma externa ou interna, porque não haveria como sustentá-las.'' Por isso, segundo ele, o governo decidiu, estrategicamente, ter uma política externa muito clara, voltada para um processo de influência do Brasil no mercado mundial e em busca de novos mercados. ''Nosso nacionalismo quer incluir de forma soberana o Brasil no mundo globalizado.''
Um dos formuladores da política externa do Brasil é o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral das Relações Exteriores do Itamaraty. Feroz crítico da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Guimarães acabou por assumir um dos cargos mais importantes no Itamaraty. Seria um dos ideólogos dos ''neonacionalistas'', de acordo com Arthur Virgílio. É também um dos autores do projeto de reestruturação da Ancinav, atacado por boa parte dos meios artísticos por tentar fazer o dirigismo cultural.
Outro ''pensador'' dos neonacionalistas seria o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa. Ele ainda utiliza em sua linguagem diária termos muito adotados por Leonel Brizola, este sim, um nacionalista convicto, como ''trustes'', ao se referir ao comércio internacional, ''tubarões'' para as multinacionais e ''capital estrangeiro'' para tudo o que vem de fora, quando hoje todo o governo busca os investimentos de outros países. Lessa recusou-se a fazer qualquer comentário sobre isso.
Outro que pertenceria ao mesmo grupo, de acordo com os partidos de oposição, é o ministro da Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken. Mas ele rejeita o rótulo. ''Sou internacionalista, valorizo o papel estratégico da ONU e os valores de cidadania mundial. Não tenho nada de xenófobo'', afirma.
O importante, para Gushiken, é o planejamento estratégico. Ele acaba de lançar o primeiro número dos cadernos do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), do qual é presidente. Nesse caderno, ele prevê que em 2022 o Brasil chegará ao primeiro mundo, desde que faça um planejamento bem cuidado.

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