Nem que fosse com palavras, era preciso agir
Para o historiador Francisco César Ferraz, professor de História Contemporânea da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a comparação do Exército Brasileiro dos anos do regime militar não se aplica à polícia especial de Adolph Hitler, na Alemanha nazista.
''São instituições não comparáveis: a SS de Hitler fazia o ''serviço sujo'' a mando dele, seja batendo nos comunistas ou cometendo uma série de outras atrocidades, mas sem integrar o Exército. Já os militares brasileiros tinham uma certa liberdade para agir, apesar de estarem, claro, relacionados a alguém que dava as ordens'', define. ''O grande debate que permanece na história é: realmente o alto comando militar brasileiro sabia como agia essa 'Tigrada'?'', questiona, citando o termo dado ao grupo da repressão pelo ex-ministro Delfim Neto.
Mas o historiador faz uma ressalva: se por um lado a comparação feita no aparte de Leite Chaves não é válida ''do ponto de vista estritamente histórico'', por outro, político e retórico, ela teve papel importante junto à sociedade. ''Isso chama a atenção da opinião pública à prática de tortura empregada na época. Certamente, naquele momento, a estratégia deu certo até porque havia uma vontade política de cima (Geisel) para baixo pela abertura'', comenta Ferraz, que delega boa parte do mérito, na verdade, ao presidente da República. ''Esse esforço pela distensão permitiu que vozes como a do senador fossem ao menos ouvidas. Estávamos sob o AI-5, mas havia frestas no muro que permitiam que se falasse dos descalabros daqueles que agiam por vontade própria. Era preciso agir com o que se tivesse à mão nem que fosse uma palavra falada''. (J.G.)





