'Nem pai-de-santo resolve', diz Tuma
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Ana Paula Scinocca, Eugênia Lopes e Rosa Costa<br>Agência Estado 
Brasília - O imbróglio envolvendo o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que é investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, criou um clima de enfrentamento e troca de acusações mútuas entre os senadores. Tão tensa está a relação entre os parlamentares que, sem mais argumentos terrenos para qualificar a crise que atinge a Casa, o corregedor Romeu Tuma (DEM-SP) surpreendeu ontem.
Inspirado pela Sexta-Feira 13, Tuma recorreu à religião para dimensionar o estrago político no Legislativo. ''Com todo respeito ao espiritismo, nem dez chefes de terreiro, sendo três da Bahia, seriam capazes de fazer um descarrego nesta Casa'', afirmou, no plenário.
Quinta-feira, o senador Inácio Arruda (PC do B-CE), ao defender Renan, afirmou que ''poucos, pouquíssimos'' no Senado ''têm condições de levantar a voz sobre questão ética''. A declaração de Arruda causou reação imediata dos senadores. Acuado, ele foi obrigado a recuar.
''O clima no Senado está degradando-se pouco a pouco. Esse foi mais um episódio'', resumiu o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). ''Acho inaceitável uma afirmação como essa e fico feliz que o senador Inácio Arruda tenha se retratado. Isso é parte do ambiente de 'tensionamento' e de uma agenda negativa'', emendou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
Buarque foi um dos senadores presentes durante o discurso de Arruda que cobrou, imediatamente, dele uma retratação pública. ''Essa é uma acusação muito grave, e eu gostaria que o senador Inácio Arruda reconhecesse que foi retórica e não fruto de uma reflexão. Porque, se foi fruto de reflexão ou fruto de informação, deveria mandar muitos mais de nós ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar'', reagiu.
Para o senador do PDT do Distrito Federal, o Senado vive hoje uma crise de autoconfiança, agravada pela decisão do presidente do Congresso de manter-se no comando da Casa e retardar o processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. ''O clima é de descontentamento de todos nós com o fato de o Renan não se licenciar da presidência do Senado'', observou Buarque. Ele argumentou, no entanto, que o episódio Renan apenas exacerbou ''uma falta de importância'' do Senado, que há tempos está patente. ''O Senado desabou, ficou irrelevante. Quando resolver o caso de Renan, vai tirar a pedra do sapato do Senado. Mas o sapato continuará inapropriado'', afirmou.
Dizendo-se abismada com o clima de tensão e acirramento, a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), argumentou que a Casa não pode se transformar ''num verdadeiro ringue, numa verdadeira praça de guerra''. Ideli pediu ''bom senso'' aos senadores na condução das investigações sobre o presidente do Senado. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar apura se Renan teria tido despesas pessoais pagas pelo suposto lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.


