Ninguém está imune ao grampo telefônico, nem mesmo os proprietários de telefones celeulares digitais, anunciados como à prova de escutas. É o que garante um detetive particular de Londrina, com mais de 20 anos de profissão, que por motivo de segurança prefere se identificar somente por C.. Ele garante que os grampos telefônicos são utilizados normalmente nas investigações de casos conjugais e, também, por políticos em períodos de campanhas eleitorais.
‘‘A lei proíbe o grampo telefônico. No entanto, os políticos em Brasília são os que mais os utilizam, sendo fiscalizados inclusive pelos próprios órgãos de segurança e informação’’, afirma o detetive. Pela lei, as gravações telefônicas não valem como provas em processos judiciais, mas servem para nortear investigações. ‘‘Até a polícia utiliza o serviço de grampo nas suas investigações. Como é que eles chegam aos traficantes de drogas no momento de um carregamento? Ou é ação de informantes ou o grampo. O mesmo acontece na política. Como é que os deputados e senadores conseguem as informações das CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito)? O grampo’’, assegura.
Atualmente, os sistemas utilizados pelos detetives são desenvolvidos tecnologicamente, acabando com as gravações junto ao telefone. Sistemas avançados, com gravação à distância, permitem que uma escuta telefônica seja gravada a quilômetros de distância, inclusive com mecanismos que evitam o rastreamento antigrampo. Segundo C., nos Estados Unidos há um sistema, ao custo de aproximadamente US$ 42 mil, que permite o grampo também dos telefones celulares digitais, considerados antigrampo.
O que faz o grampo ser um trabalho complicado é o risco que implica. C. diz que quem estiver instalando um grampo e for pego, pode responder a três crimes: invasão das telecomunicações, da privacidade alheia e dá direito ao usuário da linha a processá-lo. O preço médio dos grampos telefônicos, dependendo da localidade onde ele está instalado e da sua complexidade, pode sair por R$ 3 mil a R$ 3.500 num período de dez dias.

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