Curitiba - Os próprios parlamentares paranaenses não acreditam muito na independência da Assembléia Legislativa em relação ao governo do Estado. Um levantamento realizado pela Folha durante os meses de outubro e novembro apurou que 24 deputados estaduais (44% do total) acreditam que a Casa serviu apenas como um braço de apoio ao governo nos últimos quatro anos. Trinta dos 54 deputados, por outro lado, acreditam que os parlamentares cumpriram seu papel de fiscalizar as ações do Executivo.
A pressão do governo de Jaime Lerner (PFL) sobre os parlamentares durante o processo de votação do projeto que impedia a venda da Copel e a sistemática rejeição de pedidos de informação sobre contratos firmados pelo governo foram as principais causas apontadas pelos parlamentares para mostrar que a Assembléia manteve-se a reboque do Poder Executivo. ''Isso não acontece só na Assembléia, mas também nas câmaras municipais. O Legislativo não sabe o poder que tem, e acaba se entregando por interesse. Nos últimos anos, não fiscalizamos nada do governo'', avalia Algaci Túlio (PSDB).
Derrotado em sua tentativa de reeleição, Túlio prega um maior corporativismo dos deputados para aumentar a força da Casa. ''Mantive uma postura independente, e deu no que deu. Já quem se apegou ao governo por interesses políticos ou de outros tipos, conseguiu a reeleição. Depois, serão os mesmos deputados que irão aprovar aumentos de IPVA e ICMS'', afirmou Túlio.
Já para o deputado Nelson Justus (PFL), o fato da Assembléia ter defendido os interesses do governo nos últimos anos não é sinal de subserviência. ''O que acontece é que no Paraná temos um bom entrosamento entre os três poderes. Aliás, acredito que no governo do Roberto Requião esse entrosamento continuará acontecendo. O fato do governo ter maioria na Casa não fere a independência dos deputados. Só que essa maioria tem que ser conquistada com argumentos'', afirmou Justus.
A força dos ''argumentos'' do governo beneficiou o próprio Justus em 1999. Na época, o governo Lerner interferiu diretamente nas eleições para a presidência da Assembléia após a morte do deputado Aníbal Khury, pressionando os deputados da base aliada a apoiarem Justus, que concorria com Valdir Rossoni (PTB).
Segundo o deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), que será vice-governador a partir do ano que vem, esse tipo de interferência não deve ocorrer na gestão do peemedebista. ''No governo anterior do Requião ele não tinha esse tipo de atitude, de pressionar os parlamentares'', disse Pessuti.
O deputado, entretanto, não perdeu a oportunidade de elogiar o candidato à presidência da Assembléia preferido pelo PMDB, Hermas Brandão (PSDB), que disputará a reeleição no ano que vem. ''Na maioria das vezes a Assembléia não funcionou com a independência que precisava, apesar dos esforços e das tentativas do seu presidente. A não-criação de comissões de inquérito para investigar a questão do pedágio e da Copel são exemplos claros disso'', concluiu Pessuti.

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