Nem busto de Mário Covas ficou de pé
Brasília - O ato de vandalismo de cerca de 300 integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) deixou ontem um rastro de destruição nunca visto no Congresso, causando prejuízos que até a noite de ontem a direção do Legislativo ainda não tinha conseguido contabilizar. Para romper o portão de vidro da entrada do anexo 2 da Câmara, os ativistas usaram como máquina de guerra um Fiat Mille vermelho, repetindo cena descrita nos livros sobre as guerras bárbaras medievais.
Arrebentada a porta e estilhaçados os vidros, os manifestantes atacaram o carro com pedaços de pau, barras de ferro e paralelepípedos apanhados na rua. Colocado para exibição pouco antes da entrada do anexo 2, o carro nem tinha placas e seria sorteado numa festa de São João da Associação de Servidores da Câmara (Ascade).
Vencido o primeiro obstáculo, a turba quebrou oito computadores usados para cadastrar visitantes da Câmara, danificou o detector de metais e atacou os terminais de auto-atendimento usados, principalmente, por grupos de turistas. Depois que o clima acalmou, havia no saguão em ruínas pedras com pontas de vergalhões de aço, sandálias e camisetas.
A entrada destruída pelos ativistas fica a cerca de 150 metros do plenário, em que são realizadas as sessões da Câmara. Logo no início, fica o Espaço Mário Covas, no qual estava um busto de bronze do ex-governador tucano. Os vândalos jogaram o busto de Covas no chão. A peça rolou a escadaria que leva ao Auditório Nereu Ramos e parou de pé.
Bem ao lado era feita a publicidade de um seminário para tratar da gripe aviária. Painéis foram ao chão e os encarregados de distribuir os folhetos se refugiaram na entrada da Biblioteca da Câmara. Um pouco à frente, servidores da Câmara mostravam todas as experiências que conseguiram fazer para melhorar plantas do cerrado. Não ficou nada em pé.
No caminho, havia novamente uma porta de vidro, que separa o setor de taquigrafia do plenário, a menos de cem metros do Salão Verde, o maior da Câmara. A porta também foi arrebentada. No chão, ficaram montes de cacos de vidro. Depois, com pedaços de pau, os manifestantes quebraram o gesso que serve de quebra-luz para exposições de arte. Dessa vez, estão expostas na galeria retratos de mulheres parteiras, entre elas Canô, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso.
Em seguida, a turba conseguiu invadir ao Salão Verde e a proteção de aço da coluna que fica em frente ao plenário foi arrancada. A escultura de bronze de Alfredo Ceschiatti datada de 1977 e que simboliza um anjo serviu para que alguns dos manifestantes nela trepassem. A escultura, de 1,80 metro de altura por 1,63 de largura e 0,86 de profundidade, resistiu. (João Domingos/Agência Estado)





