Brasília - Numa eleição apenas protocolar, o ministro Nelson Jobim, de 58 anos, foi escolhido ontem por seus colegas presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) para um mandato de dois anos. Ele tomará posse em solenidade marcada para o dia 6 de junho.
Pela tradição, o escolhido é o membro do tribunal mais antigo que ainda não tenha exercido a presidência da Corte. Ou seja, todo mundo sabe com antecedência qual será o resultado antes da realização do pleito. Também de acordo com esse critério de antiguidade, foi eleita ontem vice-presidente do Supremo a ministra Ellen Gracie, única mulher a integrar a Corte.
Ex-colaborador do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Jobim é tido atualmente como um aliado do governo petista. Ele substituirá Maurício Corrêa, que aposentou-se no dia 9 e teve sua administração marcada por críticas ao Palácio do Planalto e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente, por exemplo, Corrêa afirmou que Lula fala bem, mas não governa.
A expectativa é a de que a administração de Nelson Jobim trará menos dores de cabeça para o Executivo federal. O novo presidente do Supremo tem ótimas relações com vários políticos, negociou a reforma do Judiciário com o governo e aceitou pontos polêmicos, rejeitados pela maioria de seus colegas de tribunal, como a criação de um órgão de controle externo da Justiça integrado por pessoas de fora do Poder.
No Judiciário, comenta-se que após presidir o Supremo Jobim poderá voltar à vida pública. Antes de ingressar na mais alta Corte de Justiça do País, ele foi deputado federal pelo PMDB gaúcho e ministro da Justiça, no primeiro mandato de Fernando Henrique.

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