Se existe uma coisa capaz de tirar o sono do prefeito Nelson Gonçalves Correia (PL) são as dívidas. A dívida assustadora de R$ 28 milhões calculada pela Caixa Econômica Federal refere-se à falta de recolhimento do FGTS. ‘‘Em 22 anos, a prefeitura nunca recolheu’’, afirma. Ele diz que até a CEF surpreendeu-se com o valor e pediu para a prefeitura refazer os cálculos. E o que os funcionários da prefeitura mais têm feito nos últimos meses são justamente cálculos.
As dívidas deixadas por Márcio de Souza com o funcionalismo e fornecedores, somam, segundo Nelsão, R$ 619 mil. Uma auditoria contratada pela prefeitura apontou ainda desvio de quase R$ 800 mil. Os resultados serão encaminhados amanhã (segunda-feira) para o Tribunal de Contas (TC) e esta semana para a Justiça.
‘‘Em seis meses, a dívida baixou para 484 mil reais. Não deu para pagar tudo porque temos algumas obras em andamento’’, relata, citando a readequação de estradas e do hospital municipal, a recuperação do maquinário e a aquisição de terrenos. Segundo ele, a arrecadação mensal é de aproximadamente R$ 200 mil.
Ele diz que a maior parte dos quase R$ 800 mil desviados dos cofres públicos são de notas calçadas. ‘‘O empenho não existe’’, afirma a advogada da prefeitura, Renata Severo. Para a advogada, as denúncias caracterizam crime de responsabilidade.
Além do encaminhamento das denúncias para o TC e à Justiça, a Câmara de Florestópolis instaurou uma Comissão Especial de Inquérito para apurar as irregularidades. Por conta das denúncias de desvio, Nelsão afastou cinco funcionários da prefeitura, entre eles o ex-prefeito Márcio de Souza (PFL), que trabalha como fiscal.
‘‘Ele foi duas vezes prefeito e fez administrações desastrosas. Nesta última, o dinheiro do município sumiu e sua única obra foi o término de umas casas populares’’, acusa. ‘‘Ah, ele fez também três quebra-molas e uma guarita na entrada da cidade’’, ironiza. (P.Z.)

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