Negros ganham reforço no Senado
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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
RIO - O suplente de Darcy Ribeiro no Senado, Abdias Nascimento (PDT-RJ), 82 anos, vai apresentar projeto para estabelecer cotas no mercado de trabalho para os negros. Militante do movimento negro desde a adolescência, o novo senador fez a proposta quando era deputado federal, em 1983. Deve ter sido engavetado, mas agora vou apresentar de novo, é claro, disse.
Nascimento também planeja pôr no projeto dispositivos para dar proteção e apoio à educação do negro e garantir aos negros empregos no topo da pirâmide, não só como faxineiros nas empresas. Para o senador, suas propostas não privilegiam uma parcela da população apenas por causa da cor da pele.
O militante negro soube que iria para o Senado quando viu a notícia da morte de Darcy Ribeiro na televisão, na segunda-feira, no início da noite. Até ontem Nascimento não tinha planejado sua mudança para Brasília (DF). Creio que a liderança vai cuidar disso, disse. A direção nacional do PDT tentou comunicar a convocação de Nascimento pelo Senado durante toda a manhã, mas só conseguiu à tarde, depois que a linha telefônica de seu apartamento na Glória, zona sul, ficou livre.
Segundo senador negro na bancada do Rio de Janeiro, ao lado de Benedita da Silva (PT), Nascimento completará 83 anos em 14 de março. Ele nasceu em Franca (SP), filho de um sapateiro e uma confeiteira. Formou-se contador na cidade, economista em 1939.
Na militância negra, o senador organizou desde 1945 diversos eventos, fundando mais tarde o Teatro Experimental do Negro. Na Constituinte de 1946 Nascimento convenceu o senador Hamilton Nogueira (UDN) a apresentar o primeiro projeto tornando o racismo crime - rejeitado. Entre os 20 livros qwue publicou está O Negro Revoltado, Genocídio do Negro Brasileiro e Quilombismo - uma proposta de organização do País baseado na experiência dos quilombos, explicou o senador. (Mais informações sobre a morte do Senador Darcy Ribeiro na página 6)


