O imbróglio envolvendo a definição das candidaturas para as eleições no Paraná arrastou-se o dia todo, ontem. O cenário era de informações desencontradas e de muito suspense entre todos os partidos. O PSDB e o PPB fizeram convenções que não definiram nada. Assim como o PTB e o PFL, os tucanos e os pepebistas deixaram a ata em aberto para aproveitarem até a meia-noite de ontem para se posicionar. O senador Osmar Dias (PSDB) fez um périplo junto ao PPB, PDT e PMDB, na tentativa de encontrar uma fórmula viável que não afastasse o irmão, o ex-governador Álvaro Dias, da disputa pelo governo do Estado.
O ex-presidente do PSDB Hélio Duque também entrou nas articulações. Ligou para o presidente nacional do PDT, ex-governador Leonel Brizola, pedindo interferência nacional para que os pedetistas compusessem com os tucanos no Estado. O telefonema não surtiu efeito. O PDT já sinalizava desde o início da tarde que as negociações com o PMDB eram irreversíveis. Amigo pessoal de Brizola, Duque tentou aproveitar-se da mágoa que restou entre o ex-governador e Lerner, quando da debandada ‘lernerista’ para o PFL, em setembro de 97.
O governador Jaime Lerner (PFL) também teve de se desdobrar para acomodar os interesses internos. A resistência da vice-governadora Emília Belinati (PTB), em manter-se na vice; e o compromisso do presidente da Assembléia, deputado Aníbal Khury, em garantir espaço ao ex-governador Paulo Pimentel na chapa majoritária, foram os principais entraves para o governador se decidir. Lerner chegou a abortar sua viagem a Brasília, para a assinatura do acordo do Banestado, na tentativa de reassumir o controle das negociações.
A pressão comandada por Osmar para fazer Alvaro assumir uma candidatura pelo PSDB ao governo reaproximou os tucanos do PMDB. Orientados pelo candidato do PMDB ao governo, senador Roberto Requião, diversos peemedebistas mantiveram contatos com os tucanos para pelo menos fechar uma coligação nas proporcionais (para deputados). O PMDB também tentou avançar numa estratégia de aproximação com o PPB, mas a interferência do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, inviabilizou o processo. (L.D)

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