Negociação para reforma política se arrasta
Nesse ritmo, a reforma política anunciada por Lula pode não ser aquela que, segundo ele, iria revolucionar o sistema eleitoral e político do País. O ministro Tarso Genro, que vinha tratando do assunto, deixou as Relações Institucionais para assumir o Ministério da Justiça. Nos bastidores, há a informação de que ele pediu ao presidente para continuar no tema.
Mas poucos acreditam que arranjará tempo para costurar essa negociação. Walfrido Mares Guia, o substituto de Genro, já confidenciou não ter apetite para tratar da reforma política. ''Se conseguirmos aprovar os cinco projetos da reforma política que estão prontos para a votação em plenário, teremos feito o mínimo do mínimo'', diz o relator das propostas, deputado Rubens Otoni (PT-GO).
O ''mínimo do mínimo'' é o financiamento público de campanha, as listas prévias de candidatos a deputado federal feitas pelos partidos, o fim da coligação para as eleições proporcionais, a possibilidade de criação de federações de partidos, para saltar os obstáculos da cláusula de barreira, e a fidelidade partidária por tempo de filiação.
Otoni conta que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), acenou com a possibilidade de votar os itens da reforma até maio. Mas ele próprio, defensor da aprovação do pacote básico, acha que não há segurança nenhuma. ''Se formos para o plenário hoje, não tenho condição de garantir que os cinco pontos serão aprovados.''
Para o líder do DEM na Câmara, Onix Lorenzoni (RS), a possibilidade de algum item da reforma política ser aprovado é ''zero''. ''O governo não tem condição de negociar e ainda tem problemas em seu ministério'', diz.
''O time que o presidente montou no primeiro mandato era para disputar a primeira divisão, apesar de equívocos e falhas pessoais. O atual é para a terceira divisão. Havia, no primeiro, um Márcio Thomaz Bastos, um Luiz Fernando Furlan, um Roberto Rodrigues'', afirma Lorenzoni.
Para Lorenzoni, Lula só está interessado em aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Desvinculação de Receitas da União (DRU). ''Essa base gigantesca foi montada para isso, só para isso.'' O líder do governo na Câmara admite que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é prioritário, mas garante que as reformas acabarão por ser aprovadas, uma vez que o seu maior defensor é justamente o presidente Lula. ''Ele vai mandar e elas vão sair.''
O deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), diz que há ''exatamente em abril de 1987, nosso líder na Constituinte, o então deputado Lula, determinou que eu tratasse da reforma tributária pelo nosso partido.''





