Negociação era feita com parlamentares
Curitiba - Diferente dos demais estados brasileiros, a Planam não teria trabalhado com qualquer entidade não-governamental no Paraná. Os contatos eram sempre feitos com os parlamentares. Vedoin citou a ligação que tinha com os parlamentares paranaenses. O primeiro citado por ele em detalhes foi o ex-deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL). Vedoin contou que conheceu Santos Filho em 2002. O gabinete do parlamentar era no mesmo andar do outro parlamentar do esquema sanguessugas (Lino Rossi-PP-MT). Ele teria acordado com Santos Filho que pagaria 10% sobre o valor das emendas que destinasse na área de saúde para aquisição de unidades móveis (seja ônibus ou ambulâncias). O parlamentar teria apresentado em 2002 quatro emendas todas elas no valor de R$ 133,3 mil para aquisição de unidades móveis de saúde nos municípios de Apucarana, Araucária, Carambeí e Castro.
As quatro licitações teriam sido executadas por Vedoin. O contato nos municípios não era feito diretamente por Santos Filho, segundo o depoimento de Vedoin. O filho do parlamentar, Luiz Gustavo Magalhães, seria o responsável pelo acerto com as prefeituras. Santos Filho teria recebido a título de comissão um total de R$ 25 mil antecipados. Vedoin apresentou comprovantes de depósito que teriam sido realizados. O restante da comissão, num total de R$ 30 mil, teria sido pago em dinheiro. Vedoin teria entregue os valores na mão do próprio parlamentar, após ter usado a conta de um terceiro para efetuar a transferência.
Vedoin contou que conheceu Simões através de outro parlamentar o deputado federal José Carlos Martinez (PTB-PR), morto em 2003. Em 2001, ele teria feito um acordo com o parlamentar paranaense para o pagamento de 10% do valor de emendas destinadas para saúde, para aquisição de unidades móveis de saúde e de informática. As emendas foram feitas entre 2001 e 2003. Vedoin teria executado as licitações, com emendas de Simões, nos municípios de Almirante Tamandaré, Antonio Olinto, Araucária, Contenda, Coronel Vivida, Fazenda Rio Grande, Mandirituba, Teixeira Soares e Turvo. Os municípios teriam sido beneficiados com recursos na ordem de R$ 80 mil.
Os contatos teriam sido feitos com os prefeitos pelo próprio parlamentar, que teria pedido que as licitações fossem direcionadas. Vedoin acertava todos os detalhes burocráticos sobre execução de emendas e licitações com o assessor parlamentar de Simões, cujo nome é Rogério Correa Jansen. Em 2004, Simões não teria apresentado qualquer emenda parlamentar. Em 2005, Simões teria apresentado uma emenda na área de ciência e tecnologia para os municípios de Coronel Vivida, Mandirituba e Castro, no valor individual de R$ 250 mil. As emendas eram para a aquisição de unidades móveis de informática. Entretanto, os valores não teriam sido empenhados pelo governo federal.
Também neste ano, Simões teria apresentado uma emenda genérica no valor de R$ 1,2 milhão para a área de saúde. Vedoin apresentou vários recibos de depósitos que teriam sido feitos a assessores de Simões. Um deles, no valor de R$ 15 mil, teria sido entregue por Vedoin ao próprio parlamentar. Transferências teriam sido feitas, a pedido de Simões, para contas dos assessores e seus parentes. Entre os nomes citados por Vedoin estão: Mariana Régis Jansen, Leonzir Bueno Meiga (que seria assessor de Simões em Curitiba), Rogério Correa Jansen (chefe de gabinete de Simões e que teria pego na Planam de Cuiabá um cheque no valor de R$ 49,9 mil) e Ademir da Silva (depósitos feitos a pedido de Simões, segundo Vedoin). Ao todo, Simões teria recebido entre R$ 80 mil e R$ 90 mil. (L.P.)





