Negociação da Sercomtel deve ficar para 2007
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O governo do Estado deve dar continuidade às conversações sobre a intenção de estadualizar a Sercomtel Fixa, através da Copel - que detém 45% das ações da telefônica londrinense - somente em 2007.
Ontem, o governador reeleito Roberto Requião (PMDB) - que esteve em Londrina para a inauguração da nova sede da TV Tarobá -, reafirmou o interesse em adquirir uma companhia telefônica manifestado em uma reunião com vereadores e o prefeito Nedson Micheleti (PT), no dia 24 de novembro. No entanto, ele não mencionou claramente o interesse na Sercomtel. ''Temos interesse em criar um sistema de telefonia com fibra óptica da Copel no Paraná inteiro. Já manifestei esse interesse e vamos conversar no próximo ano'', se esquivou. ''A Sercomtel tem problemas mas ela seria importante para o serviço de telefonia no Estado do Paraná. Sem nenhuma sombra de dúvida, o Estado economizaria milhões de reais em pagamento de contas telefônicas'', complementou, sem mencionar quais os problemas na empresa londrinense.
Requião também negou que já tivesse em andamento algum estudo técnico para a compra da Sercomtel. ''Só conversamos superficialmente'', assegurou.
Um dos ''problemas'' mencionados pelo governador pode ser a dificuldade de mercado que a empresa enfrenta. Segundo o presidente da Sercomtel, Gabriel Ribeiro de Campos, com a atuação da Embratel, Brasil Telecom e GVT na telefonia fixa da cidade a companhia tem perdido muitos clientes. ''Temos uma companhia telefônica que tem atuação em uma área geográfica restrita e enfrentamos concorrência de empresas que atendem o Brasil inteiro. Perdemos aqui este ano clientes importantes como Caixa Econômica Federal, Unibanco, Companhia Cacique de Café Solúvel, Cooperativa Integrada, que têm atuação no Brasil inteiro. Nós temos o compromisso da universalização, tenho que manter todos os clientes, mesmo aquela conta de uma residência que paga pouco mais do que a assitura básica'', explicou Campos. Novas tecnologias, como Voip (ligações interurbanas via Internet) também estariam contribuindo para a queda na receita da fixa.
Apesar da concorrência, Campos assegurou que a Sercomtel Fixa - independente dos resultados negativos das coligadas - apresenta saldo positivo. ''A telefonia fixa, se analisada individualmente sem o reflexo das coligadas, tem resultado positivo, mas infelizmente não posso tratar isso de forma isolada'', afirmou. Campos disse que ainda não é possível avaliar a queda da arrecadação da Fixa. ''Teremos dados precisos lá pelo final de fevereiro. Temos que trabalhar com os indicadores que temos, que apontam que tivemos sucesso na recuperação de clientes da telefonia celular, na recuperação de receita na Celular e se não fosse isso, o resultado seria muito pior. Tivemos sucesso também na contenção da evasão de clientes da Fixa, mas não o suficiente.''
Conforme Campos, o prejuízo da Sercomtel Celular, que em 2005 foi de R$ 5 milhões, deve cair para cerca de R$ 1 milhão. ''A Sercomtel Fixa é a mãe de todas as empresas do grupo. O reflexo de todas as demais empresas, inclusive as coligadas, recai sobre o balanço da Sercontel.''
Para o prefeito Nedson Micheleti (PT), a única forma de conter a evasão de clientes da telefonia fixa é apelar aos londrinenses. ''(A Sercomtel) Está com problema de mercado. Já estamos falando isso há cinco anos. Se ela ficar restrita à cidade com uma concorrência violenta das multinacionais, sabemos o destino dela. Vamos continuar solicitando que o londrinense escolha a Sercomtel'', disse.
O orçamento do Município para 2007, aprovado anteontem pela Câmara de Vereadores de Londrina, prevê um acréscimo de 91,46% - de R$ 4,335 milhões para R$ 8,3 milhões - de participação da Sercomtel Celular no bolo. Na contramão, a Fixa registrou queda de 21,22% em relação ao orçamento deste ano.


