Com a assinatura de 23 deputados estaduais, foi apresentado ontem, na Assembléia Legislativa, um requerimento pedindo a imediata instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades nas transações comerciais ocorridas entre a Prefeitura de Londrina, Sercomtel, banco FonteCindam - investigado pela CPI dos Bancos no Senado - e Copel.
As transações, conforme os deputados, teriam sido iniciadas durante a gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), que caucionou R$ 22 milhões em ações da Sercomtel junto ao FonteCindam e Sudameris, em setembro de 96. Pela negociação, as ações deveriam ter sido recompradas pelo município ainda na gestão de Cheida, o que não ocorreu. Segundo os deputados, o prefeito Antonio Belinati (sem partido) renegociou a dívida e, logo depois, a Copel comprou 45% do capital da Sercomtel, incluindo o pagamento do débito com o Banco FonteCindam no valor de R$ 47 milhões.
‘‘O que todos os deputados e a população querem saber é o por quê da Copel ter pago uma dívida que era da prefeitura e como o valor subiu para R$ 47 milhões’’, questionou Durval Amaral (PFL), um dos parlamentares que assinaram o requerimento. Além de Amaral, outros 16 deputados da base governista e seis da oposição também pediram a formação da CPI. A bancada do PMDB se negou a apoiar a CPI. O líder do PMDB, deputado Orlando Pessuti, condicionou a adesão à indicação de membros da oposição para presidência ou relatoria. Mas até ontem, nenhum peemedebista havia assinado. ‘‘Queremos ter participação ativa nesta CPI’’, afirmou Pessuti,
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), acatou o requerimento e disse que irá instalar a CPI na segunda-feira, após a conferência de todas as assinaturas. ‘‘Queremos verificar quem realmente assinou este documento’’, afirmou. Para Khury, este não é um momento político favorável a CPIs por causa das eleições do ano que vem. ‘‘Sou contra a CPI, mas se tiver o número de assinaturas exigidas pela Casa, a Comissão será instalada’’, garantiu.
O líder do governo, Valdir Rossoni (PFL), disse que não tinha conhecimento da coleta de assinaturas. ‘‘Esta CPI me pegou de surpresa’’, afirmou. Rossoni disse aguardar um posicionamento do Palácio Iguaçu, mas adiantou que o governador Jaime Lerner (PFL) quer cautela. ‘‘O processo da CPI envolve a Copel num momento de privatização e poderá ser prejudicial neste momento’’.
A Prefeitura de Londrina e a Sercomtel não quiseram comentar a possível instalação da CPI. De acordo com a assessoria de imprensa dos dois órgãos, tanto a prefeitura como a companhia telefônica só vão se manifestar oficialmente depois de tomarem conhecimento do assunto. Há cerca de 15 dias, o município divulgou nota em que afirma que a operação de recompra e venda das ações da Sercomtel S.A. foi legal e trouxe resultado de R$ 100 milhões para os cofres públicos. A Copel liberou ontem nota à imprensa (veja nesta página).
Esta é a lista dos deputados governistas que assinaram a formação da CPI: Duílio Genari (PPB), Nelson Garcia (PFL), Ademar Traiano (PTB), Hidekazu Takayama (PFL), Durval Amaral (PFL), Luis Accorsi (PTB), Tony Garcia (PPB), Tiago de Amorim Novaes (PPB), César Seleme (PPB), Augustinho Zucchi (PPB), Fernando Ribas Carli (PPB), Plauto Miró (PFL), Edno Guimarães (PL), Cesar Silvestre (PTB) Ricardo Chab (PTB), Cleiton Kiélsi (PFL), Beto Richa (PTB). Da oposição assinaram Péricles de Mello (PT), Irineu Colombo (PT), Luiz Carlos Zuk (PDT), Moyses Leônidas (PDT), Ângelo Vanhoni (PT), José Maria (PSDB).

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