O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), declarou ontem que a comissão especial de vereadores que estudou o projeto de concessão dos serviços de água e esgoto defende a privatização no setor. No mês passado, em mais de uma ocasião Nedson disse que defensores da abertura de concorrência pública na concessão dos serviços de água e esgoto estariam defendendo, na verdade, a privatização. Nedson se referia de forma implícita a juristas que consideram inconstitucional a contratação da Sanepar por meio da dispensa de licitação medida defendida abertamente pelo prefeito. Dessa vez, a crítica foi direcionada aos vereadores que analisaram a matéria e que conseguiram aprová-la em plenário com o substitutivo proposto pelo grupo.
Aparentemente, o prefeito não gostou do resultado da votação que derrubou o substitutivo de número 3 ao projeto, o segundo elaborado pela administração municipal. A votação nominal na última sessão extraordinária do ano, anteontem já perto das 22 horas, rejeitou a nova alteração com sete votos contrários. Com isso, o documento segue para sanção com o substitutivo 2, elaborado pela comissão especial.
Entre as alterações propostas pelos vereadores sugerem que a determinação da tarifa e o gerenciamento da concessão dos serviços fiquem a cargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), e não da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU, como pedia o projeto original).
''Não houve acordo e sou absolutamente contrário a esse projeto da forma como ele ficou. Há o propósito claro, por parte da comissão, em privatizar o saneamento; é um viés presente em várias amarrações pela privatização'', reclamou. Questionado sobre os pontos do projeto que tenderiam a isso, Nedson citou ''expressões da matéria onde se fala em 'empresa que ficar com o serviço', ou 'empresa vencedora da licitação'. Estão abrindo as portas para que a atividade seja privatizada, e vou vetar todo artigo em que isso se fizer presente'', adiantou.
Após uma reunião a portas fechadas no gabinete dele com os vereadores da comissão, no final do mês passado, o prefeito garantiu que não vetaria nenhum ponto proposto pelo grupo, apesar de se mostrar contrário ao gerenciamento pela Sema, não pela CMTU. Ontem, contudo, Nedson afirmou que ''o resto é tudo conversável, vamos nos sentar e ver. Não houve diálogo antes''.
O presidente da comissão especial, vereador Tercílio Turini (PPS), se surpreendeu com a posição do prefeito. ''Nosso substitutivo é exatamente o contrário disso: ele abre as portas para a municipalização do serviço, pois deixa à Prefeitura a fiscalização e o controle da tarifa'', argumentou. O vereador rebateu a suposta falta de diálogo mencionada por Nedson lembrando que o Executivo não quis fazer emendas às alterações propostas, e sim um novo subtitutivo que as derrubava quase por completo. ''Faltou conversa é deles, tanto que avaliaram mal a votação que teriam no Plenário'', devolveu Turini.

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