Nedson vê parceria privada com cautela
Também ontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT) admitiu que a possível intenção da Copel de privatizar a parte dela na parceria com a Sercomtel é um dos fatores que fazem pano de fundo ao debate sobre a venda da Celular.
Conforme Nedson, a possibilidade teria sido aventada a ele pelo próprio presidente da Copel, Rubens Ghilardi, na sexta-feira passada. Para ele, o fato de a estatal ter desistido da estadualização já seria um sinalizador de eventual transação com a iniciativa privada.
''A Copel tem o BNDES no seu grupo de acionistas, e o banco tem um fundo que tem participação também na Telemar. Como optaram por não deixar esse fundo, acredito que a venda dos 45% seja mesmo a intenção da estatal'', disse.
Sobre as chances de - sob esse panorama de venda de 45% - a Sercomtel ter um parceiro privado, o prefeito afirma que ''isso preocupa''. ''De qualquer forma, se for uma operadora concorrente (a nova parceira), creio que isso seria passível até de processo na própria bolsa de valores. Não acho que queiram correr esse risco'', minimizou. O tom mais ameno também foi adotado ao justificar a retomada do debate pela venda da Celular, entre Câmara e Prefeitura.
''A intenção da Copel de venda parcial apressa essa discussão sobre a Celular, mas apressa mais a entrada da tecnologia de Terceira Geração em 2008. Não podemos fazer esses investimentos'', alegou. Já a respeito de encaminhar a Legislativo projeto de lei revogando a necessidade de plebiscito e autorizando a venda, Nedson repetiu: ''Não há nada de concreto; não vou desgastar a empresa levando esse assunto à Câmara por uma quarta vez, sem garantia de que passa''. Essa ''garantia'' vem sendo costurada na Casa pelo líder do Executivo, Gláudio Lima. ''Mesmo assim, quem vai ter que revogar a lei do plebiscito serão os vereadores, não eu'', avisou o prefeito.
O desgaste da empresa ao longo desse processo, aliás, foi citado também pelo vice-presidente da Sercomtel, Oscar Bordin. ''Temos qualidade de atendimento e lidamos com pessoas; isso tem que ser preservado. É preciso salientar o que é positivo, até para se pensar em venda da empresa'', sugeriu. ''Não faz sentido dizer que 'ou vende, ou quebra'. Isso é ruim à empresa. Se fosse assim, grandes redes de farmácia e de supermercados que vêm a Londrina liquidariam as menores. Temos que valorizar o que é nosso'', comparou. (J.G.)





