Caso a Copel não manifeste interesse na estadualização da Sercomtel, a Prefeitura de Londrina pretende oferecer os 55% das ações que lhe pertencem na telefônica, a preço de mercado, para que a estatal realize o leilão da empresa. Essa hipótese de privatização foi colocada ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) como alternativa a ser apresentada na próxima terça-feira, em Curitiba, ao governador Roberto Requião (PMDB).
Conforme a FOLHA antecipou, na semana passada, a conversa entre os dois acionistas já pode ser enviezada pela possibilidade de venda da telefônica londrinense à iniciativa privada, em detrimento da estadualização cogitada por Requião durante a campanha pela reeleição, no segundo turno de 2006. A Copel é sócia minoritária da Sercomtel desde 1998, quando 45% das ações foram vendidas, na gestão do então prefeito Antonio Belinati (PP), por R$ 186 milhões.
Desde abril a Prefeitura espera que a Copel responda a proposta de venda de 10% das ações - e consequente troca do comando acionário - formulada por Nedson e respaldada por um estudo que encontrou viabilidade técnica, jurídica e comercial na transação. Semana passada, o diretor de Finanças da Copel, Paulo Trompczynski, informou que o assunto deve ser resolvido até o final deste mês, após o fim de uma consultoria que avalia o preço das ações no mercado. É aguardado ainda um parecer jurídico da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com Nedson, que se diz favorável, em primeiro lugar, à estadualização, não há interesse do Município na venda parcial do grupo. ''Não fica atrativa a venda assim, devido à desvalorização ao longo desses anos'', justificou. Para tanto, o prefeito afirmou que solicitará autorização legislativa para a hipótese de leilão - a venda dos 55% à Copel, contudo, acredita ele, não deveria passar pelo crivo dos vereadores. A lei que impõe a necessidade de plebiscito - a 8.078, de 2000 -, no entanto, estabelece que a ''alienação das ações em volume que implique a perda do controle acionário pelo Município'' tem entre os requisitos a serem observados a ''consulta prévia, mediante plebiscito, à população local''.
Segundo Nedson, um suposto interesse da Brasil Telecom na telefonia fixa, e da Claro, na Sercomtel Celular - a empresa tenta concessão em Londrina -, seriam aspectos que justificariam a realização de um leilão, mas do grupo todo. ''Se a Copel aceitar esse leilão, pedimos autorização à Câmara para que a privatização se dê nesses moldes'', disse. Para ele, a chance mais remota seria a Copel não concordar nem com o leilão, nem com a estadualização, e a Prefeitura tentar a venda de seus 55%. ''De ambos os jeitos, tem que mudar a lei municipal.''
Questionado sobre o porquê de a própria Prefeitura não tentar - em caso de derrubada da lei de 2000 - o leilão, como forma de viabilziar maior recurso com a venda, o prefeito justificou que não há know-how para isso. ''Precisaríamos de uma consultoria própria, que demanda verba, e não temos. Além do mais, leiloando a empresa inteira a Copel pode fazer troca de ações ou colocá-las em fundos de investimento'', afirmou, para completar: ''A Copel investiu em 45% do total, em 1998, algo que hoje é o valor praticamente de toda a empresa. Se não quiserem investir (via estadualização, por exemplo), vender seria uma forma de recuperarem ao menos parte do que já investiram'', analisou.

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