O furo no caixa da prefeitura que será herdado pelo prefeito eleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), deve ficar em torno de R$ 150 milhões. A informação foi prestada ontem pelo secretário de Planejamento do município, Fábio César Reali Lemos, que destrinchou, na Câmara, a proposta orçamentária para 2001. O déficit, explicou Reali, englobaria prejuízos que vêm se somando desde 1989 e dívidas com a Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml), por exemplo.
‘‘O próximo prefeito está frito. O ano de 2001 será extremamente difícil’’, prevê Reali. Para conseguir administrar e melhorar a situação do município, o secretário acredita que Nedson precisará reduzir a estrutura administrativa, selecionar prioridades, captar recursos fora de Londrina, cortar cargos comissionados, rever o caráter da frente de trabalho, entre outras coisas.
Antecipando os tempos difíceis, a proposta apresentada ontem por Reali e pelo diretor de Orçamento da Secretaria de Planejamento, Edson Antonio de Souza, enxuga, em relação ao orçamento deste ano, a previsão de repasse de verba em 25% – corte que atinge a todas as secretarias e autarquias. Aapenas seis vereadores permaneceram em suas cadeiras até o final da palestra. Nas galerias, o número de pessoas interessados no assunto não era muito maior.
O projeto que discute o orçamento municipal para 2001 foi retirado de pauta, mas deve voltar nos próximos dias. Até o dia 31 de dezembro ele deverá ter sido publicado pela prefeitura. A previsão orçamentária para 2000 é de R$ 534 milhões. Para 2001, o número cai para R$ 420 milhões. As secretarias que receberão maior repasse são Educação (R$ 56 milhões) e Saúde (R$ 40 milhões). Em terceiro lugar vem a Secretaria de Recursos Humanos, com previsão de gasto em torno de R$ 18 milhões.
Reali e Souza garantem que o orçamento está de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), um dos motivos pelo qual a previsão para 2001 cai 25%. O secretário e o diretor lembram que a LRF vai impedir até mesmo novas contratações pela futura administração municipal, ‘‘já que o controle financeiro deverá ser casado com o orçamentário’’ e a prestação de contas precisará ser feita a cada bimestre.
Ontem, o vereador Salvador Francisco (PSB) protocolou um projeto de Lei estabelecendo que o valor do saldo existente no Conselho de Gestão Financeira (Cogefi) seja destinado exclusivamente para custear a folha de pagamento e o 13º salário dos servidores.

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