Apesar de já derrubado em primeiro turno e em regime de urgência o projeto que instituía o plebiscito que vetou a venda da Sercomtel Celular em 2001, a administração municipal prevê que apenas em 2007 vai tratar da privatização ou não da empresa de telefonia. A garantia foi dada ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), para quem um resultado positivo em segundo turno, na sessão de hoje à tarde, vai servir apenas para que ele comece a ''acompanhar o mercado''. ''Não vou decidir de afogadilho'', recuou.
Nedson admitiu a pressa na discussão da matéria, votada à noite em um dia de sessão marcado por galerias cheias de funcionários da telefônica e servidores municipais. Durante a votação, porém, todos já haviam ido embora. ''Sempre afirmei que a Câmara precisava decidir com rapidez, pois não podemos ficar reféns de um debate público desse jeito'', afirmou o prefeito ontem à Folha. Ele fez questão de salientar que ''é do Legislativo (no caso, de sete vereadores) a iniciativa de revogar o plebiscito'', eximiu-se.
Segundo o chefe do Executivo municipal, uma possível revogação da lei de 2001 que criava a consulta popular vai servir apenas para que ele passe a acompanhar mais detidamente o desempenho da Sercomtel no mercado, sobretudo o da Celular. ''Desde 2001 não tenho visto mais como o mercado está se comportando nesse setor, se com valorização ou não. Sei é que a Celular perdeu boa parte da cartela de clientes: detinha 60% do mercado em Londrina, hoje tem apenas um terço. Sem a vigência do plebiscito, vou sondar e ver até dezembro como a empresa se comporta'', declarou, para completar: ''Não vou adotar o discurso do afogadilho'', assegurou o prefeito, negando pressa em analisar uma futura privatização. ''Quem fala de venda agora só o faz porque é contra a derrubada do plebiscito'', acusou.
Perguntado se uma eventual progressão da Sercomtel no mercado, até o fim do ano, pode sepultar qualquer intenção de venda da empresa, novamente o petista preferiu fazer mistério: ''Eu mesmo vou acompanhar o mercado, mas isso é algo para se decidir só ano que vem. Está longe, ainda''.
A respeito da manifestação de funcionários da Sercomtel, ontem à tarde, contra a revogação da consulta de 2001, o prefeito fez um pedido: ''Espero que esses mesmos que protestaram agora se mobilizem também quando verem como a empresa está se portando frente ao mercado''.

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