O prefeito eleito de Londrina Nedson Micheleti (PT) disse ontem à Folha que pretende nomear somente a metade do total de cargos comissionados (CC) da administração direta e indireta do município. Hoje a prefeitura tem 157 cargos em comissão. Ele acredita que a redução pode baixar as despesas da prefeitura, que tem déficit mensal de R$ 3 milhões. A equipe do petista está fazendo os cálculos de quanto a prefeitura deve economizar. Ontem, a direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) disse que a folha pode cair R$ 500 mil com as não nomeações.
Hoje, de acordo com o Sindiserv, a folha de pagamento mensal dos mais de 9 mil funcionários da prefeitura é de R$ 10,5 milhões. Os comissionados representariam R$ 800 mil por mês. ‘‘Metade dos comissionados eu não vou nomear quando assumir. Não vou extinguir de imediato porque entendo que isso passa por uma reforma administrativa que tem de ser discutida com a cidade’’, explicou Nedson ontem, por telefone, de Brasília.
Ele disse que pretende efetuar cortes em todas as áreas para redução do déficit. ‘‘O ajuste financeiro tem de ser feito de imediato’’, afirmou. Ele disse que além de não nomear todos os comissionados, pretende, já no início do mandato, reavaliar os contratos de serviços terceirizados da prefeitura, além de rever a isenção tributária a grandes grupos. ‘‘Queremos economia total’’, pregou.
O Sindserv defende a redução dos cargos em comissão na prefeitura. ‘‘Entendemos ainda que é necessário reduzir salário dos comissionados’’, sugeriu ontem a presidente da entidade, Marlene Valadão Godoi. Na proposta de reforma administrativa que o sindicato sugeriu ao prefeito Jorge Scaff (PSB) consta a redução de 47 comissionados que, pelos cálculos da entidade, representariam uma economia mensal de R$ 200 mil.
Segundo Marlene, os 27 secretários da prefeitura recebem R$ 5,1 mil cada um. Mas há salários mais altos. De acordo com a sindicalista, o presidente da Sercomtel recebe R$ 12 mil e o da Cohab R$ 8 mil.
Quem vai preencher esses cargos na próxima administração ainda é uma incógnita. Nedson não revela nomes. Ele promete divulgá-los somente em meados do próximo mês, mas antecipou ontem que irá chamar ‘‘pessoas’’ e não partidos para compor a equipe. ‘‘Da extrema esquerda à extrema direita’’, admitiu. ‘‘Até algum filiado do PFL pode ser convidado?’’, questionou a reportagem. ‘‘Pode até acontecer porque o critério não é filiação partidária e sim ser uma pessoa de bem, ter competência técnica e facilidade de trabalhar com a comunidade. Aliás, pode não ser filiado a partido algum’’, afirmou. Nedson brincou que o PT já está ‘‘muito bem representado na administração’’. ‘‘Tem o prefeito’’, afirmou.

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