O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), embarca hoje à noite para Brasília com a expectativa de encontrar uma solução definitiva para a dívida de R$ 320 milhões da Companhia de Habitação (Cohab) com a Caixa Econômica Federal. Nedson e o presidente da companhia, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, têm reunião marcada para as 10 horas de amanhã com Joaquim Lima, superintendente nacional de FGTS da Caixa e um dos responsáveis pelas negociações com as Cohabs de todo Brasil. Antes da posse, Nedson já tinha feito uma reunião com Lima na capital federal.
‘‘São os primeiros passos dessa negociação e estamos confiantes de que até março já teremos encontrado um bom termo. Nossa disposição é fazer uma negociação global, que inclua todas as questões dessa dívida’’, disse o prefeito.
A Cohab tem uma dívida vencida de aproximadamente R$ 50 milhões e outra, de R$ 270 milhões, a vencer. Ambas foram executadas pela Caixa. O valor refere-se, principalmente, aos 32 contratos sub-rogados de 28 municípios da região, que a Cohab assumiu de 90 a 92 e que hoje apresentam um índice de inadimplência de 90%. Somente esses contratos acumulam uma dívida vencida de R$ 9,5 milhões e outra de R$ 49 milhões a vencer.
Além de Lima, Nedson antecipou que também pretende se reunir em Brasília com a assessoria técnica da Associação Brasileira de Cohabs (ABC) para buscar exemplos de negociações que tiveram bons resultados. ‘‘Claro que nosso caso é mais grave, por causa da execução. Mas a gente está confiante’’, dise o prefeito. ‘‘Por isso não queremos uma solução paliativa, apenas para ganhar tempo, mas encontrar uma solução definitiva para o endividamento’’.
Entre os problemas provocados pela dívida, destacou o prefeito, está a retenção da verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), há mais de um ano. Por causa do bloqueio, deixam de entrar nos cofres da prefeitura mais de R$ 700 mil por mês. ‘‘É um dinheiro que daria, por exemplo, para pagar toda a folha da Frente de Trabalho’’, observou.
O encontro de amanhã em Brasília será a segunda reunião oficial para tratar da dívida da Cohab com a Caixa. A primeira ocorreu quinta-feira, em Londrina, e reuniu o presidente do órgão, Carlos Eduardo Afonseca, e o superintendente regional interino da Caixa, Roberto Bachmann.
Ontem, Afonseca reafirmou que a Cohab pretende usar na negociação as ‘‘moedas’’ que o órgão dispõe, entre elas os 32 contratos sub-rogados – que pretende devolver à Caixa – e também o saldo do Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS), um seguro embutido nas prestações dos mutuários para cobrir eventuais resíduos. O crédito da Cohab seria de R$ 105 milhões, mas pode chegar a R$ 120 milhões.
Afonseca acrescentou que pretende receber técnicos da Caixa para, em conjunto com técnicos da Cohab, possam estudar o real valor da dívida da companhia com o banco.

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