Nedson tenta reverter execução de dívida
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quarta-feira, 22 de novembro de 2000
Cristiane Oya De Londrina 
A possível execução judicial da dívida de cerca de R$ 17 milhões da Cohab pela Caixa Econômica Federal, está preocupando o prefeito eleito de Londrina Nedson Micheleti (PT), que hoje irá se reunir com o superintendente regional da Caixa em Londrina, Mounir Chaowichi.
Segundo informações obtidas pela Folha junto à Caixa, a execução judicial seria referente aos contratos sub-rogados, assinados pela Cohab entre 1990 e 1992, por serviços repassados para outros municípios. A Cohab assumiu a administração de 4 mil contratos em 28 municípios da região.
De acordo com o presidente da Cohab Agnaldo Rosa, esses contratos inviabilizaram as finanças da companhia. Até a aceitação desses sub-rogados, superfaturados e com 90% inadimplentes, a Cohab estava com as contas em dia com a Caixa Econômica Federal, afirmou.
Nas casas, de pouco mais de 20 metros quadrados, onde em geral moram lavradores, a prestação é superior a R$ 120,00. Segundo informou à Folha na semana passada o diretor-executivo da Cohab, Michael Jannani, se forem consideradas as prestações a vencer, o valor da dívida sobe para R$ 120 milhões.
Na ocasião, Michael Jannani disse ainda que a Cohab vem tentando repassar a administração para a Caixa há quase um ano. Como a negociação administrativa não deu resultado, a Cohab já está estudando a possibilidade de ingressar na Justiça, segundo o diretor-executivo.
Agnaldo Rosa disse que não recebeu qualquer notificação judicial, mas que a execução seria o caminho mais rápido para a renegociação da dívida. Se a Caixa tomasse a iniciativa seria bom porque nós discutiríamos isso judicialmente. É o único caminho. Nós fizemos várias tentativas de renegociar essa dívida, mas quando chega na diretoria da CEF, as coisas travam. Considero essa dívida impagável, desabafou o presidente da Cohab.
Segundo ele, há cerca de 30 dias, o Cartório de Títulos encaminhou uma notificação extra judicial informando da possibilidade da execução, mas ele se negou a receber o documento. As tentativas de negociação também teriam sido paralisadas há cerca de 40 dias.
Apesar de o assunto já ter sido veiculado pela imprensa, o prefeito Jorge Scaff (PSB) disse ontem que não sabia da existência desses contratos sub-rogados. Não tinha conhecimento desses contratos. Irei tomar conhecimento do assunto, e amanhã passo todas as informações necessárias, prometeu.
A preocupação de Micheleti com a existência da dívida foi apontada pela equipe de transição, que está levantando dados da prefeitura. Se confirmada a execução judicial, o município não terá como obter a certidão negativa para tentar financiamentos junto ao governo federal, até a quitação dos débitos com a Caixa. A Folha tentou entrar em contato com o superintendente da Caixa, mas foi informada de que somente hoje ele irá falar sobre o assunto.
A assessoria do prefeito eleito disse que ele somente irá comentar o assunto após a reunião com o superintendente da Caixa. Na pauta de discussões também estariam projetos para obtenção de recursos que deverão ser implantados a partir do ano que vem.
Além de reuniões com órgãos financiadores, também estão previstos encontros do petista com setores organizados. Na semana passada, Nedson teve um com representantes do Rotaract. Também se reuniu com representantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina.


