O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), teve o sigilo bancário dos últimos 20 meses quebrado pela Justiça Eleitoral. Ainda tiveram os sigilos bancários quebrados por igual período o diretório municipal do PT, o secretário de Gestão Pública e presidente do partido, Jacks Dias, e os integrantes do comitê financeiro, o diretor de Marketing da Sercomtel, Francisco Moreno, e o secretário de Agricultura, Nilson Ladeia. O diretório está tentando reverter a medida. Ontem o advogado João dos Santos Gomes Filho ajuizou um agravo de instrumento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Conforme informações do advogado e da assessoria de imprensa do TRE, o recurso pede ainda uma liminar contra a decisão proferida pelo juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior, a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE). O recurso foi designado para o juiz Renato Andrade. ''Vamos aguardar o despacho. Protocolei ele hoje (ontem) e devemos ter um despacho liminar esta semana'', disse Gomes. ''É uma violência tão grande que prefiro não avaliar (a quebra dos sigilos). Prefiro que o tribunal faça a análise'', complementou.
Gomes Filho alegou que a justiça local não seria o foro adequado para decidir sobre a quebra do sigilo. ''O artigo 36 da lei eleitoral diz que só o procurador pode pedir e somente o Tribunal Regional Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) podem conceder'', argumentou.
Apesar da tentativa do advogado em reverter as quebras dos sigilos bancários, o próprio prefeito declarou no dia 29 de julho, que os seus sigilos estavam à disposição das investigações. ''É uma determinação minha para as pessoas que tiveram relação comigo e meu partido, para que tudo seja apurado, detalhado, sigilo bancário, notas. Ajudando a Polícia Federal, a Justiça, para que se mostre claramente que na minha campanha não teve nada disso que essa senhora está falando'', afirmou Nedson na oportunidade, se referindo às denúncias da ex-assessora financeira da campanha petista Soraya Garcia.
No final de julho, ela detonou denúncias de gastos de campanha não declarados na prestação de contas do PT entregue à Justiça Eleitoral. As denúncias geraram a abertura de dois inquéritos na Polícia Federal (PF). ''Isso não é colaborar com as investigações, isso é humilhar o PT e o alcaide. O prefeito pode fazer o que quiser, mas não vou permitir esses absurdos que estão sendo feitos. Que pedissem ao prefeito (os dados bancários). Essa medida não vai provar nada, ninguém prova caixa 2 na conta bancária do titular'', argumentou Gomes Filho.
Em agosto, a Justiça Eleitoral decretou a quebra do sigilo bancário do ex-assessor estrutural da campanha, Augusto Ermétio Dias Júnior. Na conta de Augusto, foram encontrados três cheques de uma empresária, que totalizavam R$ 10 mil. Conforme a empresária, o dinheiro teria sido doado para a campanha. No entanto, a doação não foi declarada na prestação de contas.
Outra medida solicitada pelo MP, foi a quebra do sigilo fiscal do prefeito e outras 25 pessoas, entre eles secretários municipais e ex-vereadores. Juntos eles teriam doado para o partido e para a campanha de reeleição de Nedson, R$ 160 mil, em 2004. Somente o prefeito doou R$ 27 mil. O pedido está sendo analisado pelo juiz Jurandyr Reis Júnior.
Ontem, o delegado da PF Fernando Lara, tomou o depoimento de dois funcionários da Companhia de Habitação (Cohab), que teriam doado R$ 1 mil cada um para a campanha de Nedson. Segundo o delegado, Antônio Lucimar Ferreira Luiz e Ludmeire Camacho Martins, confirmaram que doaram os recursos em cheques. Na prestação de contas, as doações foram relacionadas em dinheiro. ''Vou ter que analisar à luz da legislação eleitoral o que isso implica'', disse Lara.

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