Nedson tem 'certeza' de irregularidades na Acesf
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segunda-feira, 28 de abril de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A ex-coordenadora da Zona Azul Camila Kauam Menezes é a nova superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf). Ela foi empossada ontem de manhã pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que declarou ter ''certeza absoluta'' de que houve irregularidades no órgão. Camila assume o posto que estava vago há cinco dias, desde o pedido de exoneração de Osvaldo Moreira Neto. O ex-superintendente deixou o cargo em meio à divulgação das suspeitas de que servidores da Acesf vinham forçando familiares de pessoas falecidas a adquirir sem necessidade o serviço de tanatopraxia (usado para prolongar a conservação de cadáveres) e negociando irregularmente terrenos em cemitérios públicos. As denúncias são alvo de investigação pela Controladoria do Município e pelo Ministério Público (MP).
Segundo o prefeito, a existência de irregularidades na Acesf já era conhecida pela administração desde novembro do ano passado, quando a Controladoria iniciou um procedimento. Ele lembrou que, embora a questão da tanatopraxia tenha vindo a público primeiro, as investigações começaram a partir das denúncias de venda irregular de jazigos.
''Já tínhamos certeza (da irregularidade) desde aquela época, só não sabíamos como ela se processava. Foi se apurando os fatos para chegar no formato e nos responsáveis, e agora o trabalho da controladoria está quase pronto'', afirmou. De acordo com Micheleti, caberá à Corregedoria do Município avaliar que tipo de punição será aplicada aos servidores públicos que tiverem seu envolvimento nas denúncias comprovado - incluindo demissões.
O prefeito frisou que ''ainda não há comprovação de envolvimento do ex-superintendente da Acesf'' em qualquer irregularidade, mas que a iniciativa de Moreira Neto ''facilitou'' o trabalho do controlador. Ele enfatizou ainda que este foi o ''primeiro problema'' envolvendo um órgão comandado por um indicado do Partido da República (PR) - leia-se Orlando Bonilha.
Questionado sobre uma auditoria feita em 2004 para apurar denúncias semelhantes na Acesf - e que acabou sendo arquivada -, Micheleti afirmou que o único problema constatado foi que representantes de empresas particulares tinham presença constante na autarquia, onde ofereciam o serviço de tanatopraxia aos cidadãos. ''Proibimos o acesso das empresas e elas acharam um caminho para burlar essa norma, começaram a influenciar internamente a Acesf através de um ou outro funcionário'', assinalou. À época, o superintendente era Sérgio Plínio, outro indicado de Bonilha.
Pelo sim, pelo não, a nova chefe do órgão não é filiada a nenhum partido. Psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Camila atuava há oito anos na Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) e há cinco era responsável pela Zona Azul. A indicação foi justificada com a necessidade de ''humanizar'' o atendimento na autarquia.


