Praticamente fracassada a estadualização, o passo seguinte em relação ao futuro da Sercomtel deverá ser a proposta de privatização da empresa. A afirmação foi feita ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), defensor da idéia desde seu ingresso à frente da administração, em 2001. Naquele ano, o petista viu naufragar a venda da Sercomtel Celular por meio de um plebiscito. Agora, basta a Copel aceitar a venda, que a Câmara de Vereadores receberá um projeto de lei revogando a lei de 1998 que instituía a obrigatoriedade da consulta popular.
A declarações do prefeito foram dadas ontem à tarde em resposta à entrevista do presidente da estatal, Rubens Ghilardi, à FOLHA. Nela, Ghilardi se referiu à estadualização como uma possibilidade remota e citou impedimentos legais à transação. Um deles seria a participação do BNDES com 26% de ações na estatal de energia e também em outra telefônica, a Telemar, com mais de 20%. Outro impedimento levantado seria o de que a preferência, em caso de privatização, ficaria com as telefônicas que operam na região Sul - a Brasil Telecom, destacara, seria a detentora de tal possibilidade.
Paralelamente às questões de ordem legal, Ghilardi também afirmou, na entrevista, que a Copel estuda a possibilidade de criar sua própria rede de telefonia por meio da rede elétrica - portanto, sem a Sercomtel. Nedson disse desconhecer os argumentos técnicos apresentados pelo presidente da estatal, mas afirmou que o posicionamento, até pela demora de seis meses na resposta, não o surpreendeu. Ao mesmo tempo, o prefeito negou que o posicionamento ser expresso primeiro pela imprensa, e não oficialmente ao acionista majoritário, tenha causado qualquer constrangimento.
''Isso não é surpresa. A estadualização era uma vontade política do governador que se subordinou à análise técnica da Copel'', minimizou.
Por outro lado, Nedson declarou que o próximo passo será cobrar uma manifestação formal do acionista minoritário, até por meio de uma reunião de Conselho de Admnistração da Sercomtel, para depois convencê-lo da venda total da empresa - a qual, segundo Nedson, diferentemente do que disse Ghilardi, ''não tem interessados, ainda''.
''Para nós, o que foi dito sinaliza que não há mesmo mais interesse; então, nosso passo seguinte será conversar com a Copel já sobre a venda da empresa, mas não parte dela'', declarou. ''Não vejo outro caminho para enfrentarmos a concorrência senão a venda'', completou.
O prefeito afirmou que conversará pessoalmente com Ghirlardi depois que retornar da licença, dia 22 de outubro. Até lá, disse, deverão ser mantidos os trabalhos para lançar o edital de uma consultoria - pedida pela própria Copel - para avaliar a empresa no mercado. ''Acredito que que isso foi solicitado para que a Copel avalie o patrimônio que possui e para que isso fique registrado no seu balanço. Porque os valores que ela tem são da época da compra das açoes (em 1998, 45% das ações foram adquiridos por R$ 186 milhões).''

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