O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), reassumiu ontem o cargo tentando abafar conflitos ocorridos durante sua viagem de dez dias à Alemanha. Na prefeitura, Nedson tratou da colisão entre o vice-prefeito, Luiz Carlos Bracarense (PPS), e o auditor Osvaldo Alves de Lima, que se desentenderam por causa de um relatório. O prefeito também precisou agir rápido em relação à Câmara de Vereadores, que não aceita a terceirização da coleta de lixo e questiona o projeto de reforma administrativa.
À tarde, durante entrevista coletiva, Nedson descartou nova auditoria no contrato firmado entre a Celta System e a Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), como defendeu na última sexta-feira o então prefeito em exercício Bracarense.
O relatório do auditor da prefeitura – já entregue ao Ministério Público (MP) – responsabilizou a Celta System (empresa do delegado regional do Trabalho, Celso Costa) por irregularidades no processo licitatório. A publicação de reportagem sobre o caso desagradou Bracarense, que encaminhou carta à Folha, dizendo que a administração municipal não se responsabilizava pelo contéudo do relatório. O mal-estar continuou na sexta-feira, quando Bracarense pediu uma auditoria independente, justificando que a empresa do auditor (a Precisa Informática) havia sido envolvida no processo.
Segundo o prefeito, o auditor deveria ter encaminhado as informações ao vice-prefeito antes de divugar o resultado. Disse ainda que o episódio gerou um ‘‘pequeno dissabor’’, mas que não será realizada nova auditoria. Ele deixou escapar que deu um ‘‘puxão de orelhas’’ em Lima e Bracarense. ‘‘Conversei com o vice-prefeito e com Osvaldo Lima, mas está superado, foi mais uma questão de trâmite interno’’, afirmou.
Questionado, Nedson garantiu que a prefeitura se responsabiliza pelo relatório de Lima. ‘‘A auditoria feita pelo Osvaldo Lima é a auditoria feita pelo Nedson Micheleti’’.
O prefeito também rebateu as críticas geradas pelos embates com a Câmara e que têm gerado especulações de que ‘‘falta pulso’’ à administração petista. Segundo ele, muitos têm a visão de que a Câmara é um órgão da administração, onde quem manda é prefeito. ‘‘Não cabe ao prefeito ter pulso sobre o vereador. A Câmara é um outro poder, foi eleita pra isso, tem suas responsabilidades e responde pelos seu atos.’’
Nedson disse ainda ser contra o Executivo usar a máquina para ter um bloco de sustentação no Legislativo. Ele considerou ‘‘natural’’ a influência das eleições de 2002 sobre as decisões políticas. ‘‘Isso influencia normalmente em qualquer ação política e vai estar presente na discussão sobre a venda da Sercomtel Celular’’, ressaltou. ‘‘Terá aquele que vai falar: pra quê deixar milhões nas mãos do PT fazer obras às vésperas da eleição?’’, alfinetou.
O prefeito também defendeu a proposta de reforma administrativa e a extinção de secretarias, que também encontra resistência junto aos vereadores. Na discussão do projeto, os parlamentares apresentaram 35 emendas à proposta. (Leia sobre outros assuntos da entrevista em Folha Cidades)

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