Na contramão de anos anteriores, o usuário do sistema de transporte coletivo de Londrina não deve iniciar 2007 com novo reajuste da tarifa - pelo menos, não até junho, mês de data-base dos trabalhadores do setor. A garantia foi dada ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) que reassumiu o posto depois de 20 dias de férias com a família.
A declaração do prefeito confirma o que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) dissera à FOLHA no final de dezembro. Na ocasião, o diretor de Transportes da Companhia, Wilson Santos de Jesus, declarou que um novo reajuste - há um ano, o valor subiu de R$ 1,90 para R$ 2 - este mês poderia ocasionar perda de passageiros; daí a probabilidade remota de o Executivo ceder. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal e Metropolitano de Londrina (Metrolon) pleiteia a recomposição tarifária como forma de arcar com aumentos de custos como o ICMS de pneus e combustíveis, além do reajuste de 4,5% concedido há seis meses para motoristas e cobradores.
Ontem, Nedson afirmou ter mantido contato com a CMTU durante suas férias no sentido de acompanhar a discussão. Por essa razão, citou aspectos de um estudo técnico que a Companhia tem desenvolvido na planilha do transporte sobre os números de 2006. ''Não pretendemos autorizar novo aumento, apesar de que pedi recálculo de alguns itens relativos ao custeio do sistema'', disse o prefeito, para complementar: ''De qualquer forma, ampliou-se a utilização de microônibus, o que diminui custos; aumentou o número de passageiros, bem como o de uso da bilhetagem eletrônica: cerca de 70% dos usuários utiliza o cartão, o que reduz significativamente as fraudes com passe de papel''.
Alternativas colocadas pelas empresas pela manutenção dos R$ 2, a isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS) e a redução pela metade da taxa de gerenciamento do sistema - 4% do faturamento, pagos à CMTU - também foram descartadas pelo prefeito. Mas não com tanta ênfase: ''O ISS já cobramos o mínimo que a lei nos permite (2%), isso não pode mudar. Os 4% no momento não é possível reduzir, mas isso pode ser revisto se atingirmos a bilhetagem, por exemplo, a 90% dos usuários. Aí de fato reduziria o papel de fiscalização da CMTU''.
Se agora o Executivo não autoriza reajuste, em junho a situação pode voltar a ser analisada. ''Isso tudo depende da evolução da economia e da inflação; podemos conversar novamente no meio do ano. Mas se o índice inflacionário se mantiver em torno de 2%, não sei se será necessário mexer no preço.''
O secretário do Metrolon, Gildalmo Mendonça, se disse surpreso com as declarações do prefeito. ''A CMTU é que teria de me informar oficialmente, por isso nos reuniríamos amanhã (hoje). Mesmo assim, sempre trabalhamos com a planilha que eles nos fazem, simplesmente atualizamos os dados. A administração terá que nos provar que não houve desequilíbrio ou vamos buscar nossos direitos'', avisou. Mendonça defende a revisão dos valores e acredita que, se o assunto ficar para o segundo semestre, a Prefeitura terá de ''fazer compensação'' se mantida a tarifa. No caso, a compensação seriam os seis meses de reajuste salarial de 2006, mais o primeiro semestre deste ano.

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