O prefeito Nedson Micheleti (PT) garantiu ontem que os servidores que aderiram à paralisação dos trabalhos, iniciada dia 7, terão os dias descontados da folha de pagamento. ''Todos os que não estiverem trabalhando terão os dias descontados. Estou deixando claro para os servidores que a greve não tinha lógica, uma vez que estávamos mostrando que não tinha possibilidade nenhuma de reajuste. Por isso, a decisão do desconto'', justificou o prefeito.
Em agosto de 2004, os servidores da Companhia Municipal de Urbanização (CMTU), paralisaram as atividades por oito dias e não tiveram o desconto. Eles também conseguiram o reajuste do valor do tíquete-alimentação em 8,62%. ''Naquela época não foram descontados os dias por um entendimento posterior à greve. Tínhamos o mesmo encaminhamento e estamos tendo a mesma agora'', disse o prefeito. Nedson não afirmou se a negociação poderá ser o caminho agora. ''Essa é uma questão que se vê depois. Hoje a nossa posição é de desconto dos dias parados.''
Demonstrando cansaço, o prefeito trabalhou ontem no gabinete da presidência da Sercomtel, e se disse preocupado com a greve que entra hoje no seu décimo dia. ''Estou muito preocupado. É prejuízo para a cidade, para os próprios servidores e servidoras, que terão seus dias descontados, que estão em estágio, e a cidade, principalmente nos serviços essenciais. Estamos operando para garantir os serviços essenciais mas nunca fica 100% o atendimento. É, de fato, preocupante'', disse.
Nedson aposta no convencimento do servidor para que a greve acabe. ''Estamos buscando o fim desse movimento para que tudo volte à normalidade, esclarecendo aos servidores aquilo que já estamos falando e demonstrando desde janeiro de que não existe nenhuma condição de reajuste salarial neste momento. Primeiro precisamos acompanhar a receita do município no decorrer deste ano e se a receita apontar que tem possibilidade de reajuste, eu mesmo vou tomar a iniciativa de viabilizar esse reajuste ao servidor, mas sempre garantindo primeiro que eu tenha a receita que venha cobrir mais esse custo'', reforçou.
Para o prefeito, o levantamento da Câmara de Vereadores que apontou uma margem para reposição salarial de 3% a 6% confirma que o reajuste somente poderá ser concedido após confirmação do crescimento da receita de 8% a 13%. ''Está no texto que a Câmara mandou. Se tivermos um aumento da receita de 8% a 13% em 2005, poderá ser concedido reajuste de 3% a 6%. Se houver incremento da receita, nem precisa de estudo da Câmara, eu mesmo vou tomar providência e reajustar o salário dos servidores.''
No entanto, o contador da Câmara, Wagner Vicente Alves, diz que os índices de reposição apontado pela Casa são para repasse imeadiato. ''Essa expectativa de arrecadação foi feita com base em 12 meses. Este percentual definido é para reposição imediata em que todos os meses vai estar impactado o percentual'', garantiu.
Apesar da data-base dos servidores vencer em fevereiro, Nedson disse que não esperava essa dificuldade na negociação. ''Os números que eu adminsitro na prefeitura quem os elabora são os servidores e a diretoria do sindicato tem acesso às mesmas informações que eu. Sabem dessa impossibilidade de reajuste neste momento, então não esperava essa dificuldade'', afirmou.

mockup