O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), espera ter R$ 20 milhões para investimentos em 2002, ao contrário do primeiro ano de mandato, quando a administração municipal trabalhou apenas para ''equilibrar'' o caixa da prefeitura. Segundo ele, o município vai entrar no ano novo com as finanças equilibradas e sem déficit mensal. ''É difícil falar que está sobrando dinheiro, mas nós vamos ter no ano que vem uma coisa raríssima: em torno de R$ 20 milhões arrecadados no próprio município para investimentos, graças à economia que nós geramos'', analisou.

Com dinheiro em caixa, a administração pretende ''cuidar da cidade'', fazendo serviços básicos de manutenção. ''Neste ano não tivemos condições de fazer por falta de recursos. As obras vão desde a limpeza de boca-de-lobo ao asfaltamento de bairros '', explicou o prefeito. Outra proposta é ampliar os programas sociais como o Bolsa-Escola Municipal, que hoje atende a 400 famílias carentes com um subsídio mensal de R$ 100, e a Rede da Cidadania, que procura englobar atividades culturais e sociais para comunidades periféricas.

Além da falta de dinheiro, Nedson enfrentou este ano momentos de desgastes com servidores e a Câmara, além da tentativa frustrada de vender a Sercomtel Celular.

No início da semana, os servidores municipais fecharam postos de saúde em protesto contra a proposta de extinção de benefícios salariais. Os projetos polêmicos, como a extinção da Remuneração Acional Variável (RAV), gerada pelas multas e juros sobre tributos, ficou para o ano que vem.

Na avaliação do prefeito, a queda de braço com os servidores não representou uma derrota. ''Houve uma negociação onde cada lado cedeu, a única coisa que me deixou bastante preocupado foi essa ação dos servidores, no início de um processo de negociação, fechar postos de saúde'', comentou.

Nedson reconheceu também que o esvaziamento do Lago Igapó 2, um dos
cartões-postais de Londrina, foi o pior momento de sua administração. O lago foi esvaziado em maio, para ser revitalizado, por determinação do então secretário de Obras, o vice-prefeito Luiz Carlos Bracarense (PPS). Mas até agora o problema não foi solucionado. ''Essa foi a maior fonte de desgaste que sofri nesse primeiro ano, não tenho a menor dúvida. Tenho que pagar esse preço político pela forma como tratamos essa questão'', comentou.

Em relação ao conturbado relacionamento com a Câmara, o prefeito acredita que o impasse está superado. ''Avançamos. Isso não significa que tudo que eu mandar à Câmara será aprovado, mas nem tudo vai ser rejeitado'', comentou. O prefeito adiantou que irá trabalhar para a campanha à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, sem comprometer seu papel de prefeito. ''Sem misturar as coisas, vou estar fazendo a campanha para o Lula em toda a cidade.''

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