A apresentação do estudo que apontou viabilidade técnica, comercial e jurídica na estadualização da Sercomtel foi oficializada ontem pela administração municipal já com a proposta de venda de 10% das ações do grupo à Copel. Se isso for aceito, haveria uma inversão do panorama acionário vigente desde 1998, quando 45% das ações foram vendidas ao Estado por R$ 186 milhões. Os 55% pertencem ao Município.
A hipótese da estadualização foi tornada pública no período eleitoral pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB) - desde então, o prefeito Nedson Micheleti (PT) vinha se referindo à probabilidade de negociação como investida estadual. Ontem, porém, um dos representantes da Presidência da Copel à assembléia geral anual de acionistas, o diretor-superintendente da estatal, Gilberto Griebeler, afirmou que a proposta de ter o governo como controlador da telefônica teria sido apresentada em setembro de 2006 ao governador pelo próprio Nedson.
''A questão batia no plebiscito'', disse o diretor, referindo-se à exigência de lei municipal para o caso de transferência de ações - e o estudo de viabilidade propõe ''alteração e/revogação'' da lei. ''Mas a disposição da Sercomtel era ser auxiliada na recuperação da empresa, que vem sendo deficitária, por isso o prefeito procurou o governador em setembro com a proposta'', declarou. A assessoria de imprensa de Nedson não confirma o fato: diz apenas que a primeira manifestação pró-negociação ''partiu primeiro do governador''.
Uma vez recebido o estudo entregue pelo presidente da Sercomtel, Gabriel Ribeiro de Campos, Griebeler salientou que será destacado um grupo dentro da companhia para analisar o levantamento e a oferta que sairá dele. Além da venda de ações, o prefeito de Londrina defende ainda o aporte de capital da Copel na telefônica - se invertidos os percentuais dos acionistas, em uma fase inicial o Município até permaneceria com os 45% que hoje são da Copel. Mas se, majoritária, se a estatal injetar recursos no valor global da parceria, o percentual da Prefeitura poderia reduzir ainda mais. ''Mas aumentariam os nossos dividendos, pois a empresa e a arrecadação dela também cresceriam'', argumentou o presidente da telefônica.
Presente à assembléia de ontem juntamente com o diretor de finanças e relações com investidores da Copel, Paulo Roberto Trompczynski, Griebeler não estipulou data para a resposta da companhia, que desenvolve estudo paralelo sobre a estadualização. ''Será o mais rápido possível'', resumiu.
Além da proposta de vnda de 10% das ações, o documento assinado por Nedson e entregue aos diretores propôs também a manutenção do acordo de acionistas e da da sede da empresa em Londrina - neste caso, houve sinalização positiva por parte dos repressentantes. Sobre demissões ou contratações de funcionários após eventual estadualização, entretanto, Griebeler disse que ''é prematura'' avaliação nesse momento.

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