Nedson quer interlocutor com a Câmara
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domingo, 14 de outubro de 2001
Lúcio Horta<br> De Londrina 
A relação quase belicosa entre os poderes Executivo e Legislativo de Londrina, que resultou em mais de 20 vetos derrubados no plenário pelos vereadores, fez o prefeito Nedson Micheleti (PT) buscar uma solução inédita para tentar contornar a crise. Ele e o presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), podem fechar hoje um nome de consenso para atuar como interlocutor, participando diretamente na discussão dos projetos de interesse do Executivo. O novo cargo - que ainda não tem nome - estará ligado à administração, com status de secretário municipal.
''O entendimento é interessante tanto para o Legislativo quanto para o Executivo. E já existe um consenso sobre a necessidade desse interlocutor. Tem um segmento na Câmara em que o diálogo não flui, por diversos problemas. Preciso de alguém que abra essa porta'', justificou Nedson, que tratou do assunto com Turini no final de semana. O prefeito não quis antecipar quais os nomes cogitados para assumir a nova função.
Segundo Nedson, o ''sinal amarelo'' mostrando a necessidade de um articulador político na Câmara foi aceso na última quinta-feira, quando o projeto que prevê a doação de uma área para a Pontifícia Universidade Católica (PUC) foi retirado de pauta, com a apresentação de duas emendas (estabelecendo critérios para concessão de bolsas de estudo) e um substitutivo (com prazos que deveriam ser cumpridos pela universidade). O projeto volta à pauta amanhã. ''Não há divergência em relação a vinda da PUC, mas essa dificuldade de relacionamento pode atrapalhar'', apontou o prefeito.
O papel do interlocutor, de acordo com Nedson, será diferente do exercido hoje pelo líder do governo na Câmara, André Vargas - eleito na última semana presidente estadual do PT. O prefeito reiterou que não há falha no desempenho de sua liderança. ''O líder está lá para fazer a defesa dos projetos, na hora da votação, inclusive com confrontos dentro do Legislativo. Mas eu quero alguém que converse antes com os vereadores, pegue a opinião sobre os projetos. Seria um passo anterior (ao do líder)'', alegou.
O prefeito disse ainda que a presença de uma pessoa ligada à administração nas sessões da Câmara não representa uma tentativa de interferência no poder Legislativo. ''Vou manter a relação de independência (dos poderes)'', frisou.
Já Tercílio Turini foi cauteloso ao comentar o assunto e destacou que pretende, durante a semana, discutir a idéia com os outros vereadores. ''Mas vejo essa proposta com simpatia. É importante ter alguém, dentro da administração, que faça essa interlocução. E, principalmente, para que os projetos mais polêmicos possam ser discutidos previamente'', disse.
O vereador acrescentou que o relacionamento dos dois poderes tem sido ''bom''. ''Claro que existem matérias em que o entendimento é diferente'', ponderou - citando como exemplo a questão do lixo (os vereadores derrubaram o veto do prefeito em projeto que proibia a tercerização da coleta) e a da Sercomtel (a Câmara também derrubou veto em projeto que proibia a cobrança de taxa para assinantes de celular que usavam o serviço de informação 102).
Sobre o nome do escolhido para a nova função, Tercílio disse que a palavra final será de Nedson. No entanto, confirmou que o ideal será escolher um nome de consenso.


