Nedson quer implantar governo participativo
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sábado, 15 de julho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Envolver toda a comunidade na definição dos rumos da administração municipal. Esta é a principal proposta que o bancário Nedson Luiz Micheleti, de 42 anos, pretende apresentar à população de Londrina nas eleições de outubro. Candidato a prefeito na coligação Compromisso com Londrina (PT, PPS, PC do B e PHS), Nedson entra na disputa com um saldo de 52 mil votos obtidos em Londrina na última eleição para o Senado, em 98. No total, ele fez no Estado quase 1 milhão de votos.
Nascido em Rolândia, em 1958, Nedson chegou a Londrina com 18 anos e um objetivo fixo: ser padre. Foi seminarista de 1976 a 1980, no Instituto Paulo VI, onde chegou a cursar Teologia e se formou em Filosofia. Mesmo desistindo do sacerdócio, ele acumulou uma forte influência da Teologia da Libertação, do Frei Leornardo Boff, e conheceu os movimentos populares, como as pastorais da juventude e operária.
Depois, Nedson ingressou na Caixa Econômica Federal em 1981, através de concurso público, e passou a integrar o sindicato da categoria. No mesmo ano, ajudou a fundar o PT na cidade e exerceu a presidência do diretório local por diversas vezes. Neste período, ainda cursou Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Também fez parte do diretório nacional do partido e, em 1994, foi eleito deputado federal.
Para Brasília, Nedson levou a experiência nas áreas de habitação e urbanismo cultivadas na própria Caixa e, sobretudo, na presidência da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) durante parte da administração do ex-petista Luiz Eduardo Cheida hoje candidato a prefeito pelo PMDB.
A preocupação com o setor fez o petista ser indicado representante da Câmara Federal na Conferência Mundial sobre Assentamentos Humanos da ONU (Habitat II), realizada em Istambul, em 1996. Depois, foi eleito coordenador do Fórum Mundial de Parlamentares do Habitat. Um dos projetos que apresentamos foi o de urbanização de favelas, realizado por nós em Londrina, lembrou.
Em 98, Nedson abdicou da reeleição para se candidatar ao Senado a vaga ficou com Alvaro Dias (PDSB). Há um ano, ele se tornou presidente do diretório estadual do PT. Antes de se licenciar do cargo, para concorrer às eleições, ajudou o partido a se preparar para disputa em 319 municípios do Estado.
Em seu programa de governo, o candidato elegeu cinco diretrizes que deverão nortear uma eventual administração petista em Londrina. Nedson espera, por exemplo, montar uma rede de cidadania em todas as regiões do município, levando ao morador projetos de integração social. Isso sem contar o orçamento participativo, uma das marcas registradas do PT, e projetos premiados, como o Bolsa-Escola.
Nesta entrevista, Nedson fala da campanha, das principais propostas que pretende apresentar ao eleitor londrinense, e se coloca como única opção fora de qualquer esquema de governo municipal, estadual ou federal. Não temos vínculo nem com Fernando Henrique, nem com Jaime Lerner, nem com essa história de assalto aos cofres da nossa cidade.


