O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), determinou que o procurador-geral do município, Carlos Roberto Scalassara, tome providências legais em relação a uma entrevista do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) a uma emissora de rádio de Londrina. Na entrevista, o tucano fez acusações contra a administração petista e contra o secretário de Fazenda, Paulo Bernardo. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, Hauly acusou a administração de estar superfaturando o pagamento feito à Vega Ambiental – responsável pela coleta de lixo na cidade.
Segundo as declarações de Hauly, a prefeitura estaria pagando R$ 600 mil a Vega, mensalmente, mas o serviço poderia custar apenas R$ 150 mil – ou seja, R$ 450 mil a mais. Pelos cálculos do deputado, a diferença representa um prejuízo de R$ 1,8 milhão nos quatro primeiros meses do ano.
Nedson informou que não irá se pronunciar sobre o caso. Já o secretário Paulo Bernardo afirmou que a acusação é de ‘‘extrema gravidade’’ e que ele (Hauly) ‘‘tem o dever de vir a público e dizer o que sabe’’. Bernardo afirmou que o deputado deve levar a denúncia adiante para que a Câmara de Vereadores, o Ministério Público (MP) e a prefeitura possam investigar os fatos.
O secretário informou também que o débito da prefeitura com a Vega, referente ao ano passado, é de aproximadamente R$ 9 milhões, dívida que ainda não foi empenhada. Ainda segundo Bernardo, neste ano a prefeitura pagou à empresa R$ 726 mil pela coleta de lixo referente ao mês de janeiro. Em fevereiro, o serviço custou R$ 594 mil, porém ainda não foi pago.
Hauly também acusou Paulo Bernardo de fazer parte da lista de pagamentos de Cassimiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’, considerado o caixa de campanha do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). ‘‘Eu tive acesso a essa lista e não encontrei meu nome, ao contrário do nome do Hauly, que está na lista’’, reagiu.
À Folha, Hauly disse que não acusou a prefeitura de superfaturamento, porém reafirmou que a coleta de lixo em Londrina não deveria custar mais que R$ 150 mil mensais. ‘‘Quem tem que dar explicações são eles. Levantei a questão para ajudar o prefeito, alguém precisa fazer essa conta direitinho’’, afirmou. Ele disse ainda que suas declarações não implicam num rompimento com Nedson. ‘‘Não estou retirando ainda o voto de confiança que dei a ele no segundo turno. Espero que faça uma boa administração.’’
Hauly também rebateu as afirmações do secretário sobre a lista de ‘‘Carlos Júnior’’. ‘‘Quem tem que se explicar é ele, que sempre foi aliado do Belinati. Eu sou adversário e tenho um mundo de processos contra Belinati. Minha atuação está registrada no Fórum de Londrina e no Congresso’’, rebateu.
A celeuma entre o tucano e o PT surgiu no último sábado durante uma manifestação do Movimento pela Moralização na Administração Pública. No ato, um militante do PT lembrou que Hauly ainda não assinou o pedido para a instalação da CPI da Corrupção, o que causou reação imediata do deputado. ‘‘Cada vez que um deles me atacar vou para cima. Não vou brigar com militante, vou brigar com a cúpula’’, alertou Hauly.

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