O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), adotou uma nova estratégia no trabalho de convencer a sociedade sobre a necessidade de vender a Sercomtel Celular até o final deste ano. Ao invés de grandes audiências públicas, a administração petista está promovendo reuniões setorizadas com entidades de classe, sindicatos e associações de moradores. Na última quarta-feira, aproximadamente 400 pessoas participaram da audiência pública sobre o tema, realizado no anfiteatro do Colégio Marista.
  Anteontem, Nedson participou da reunião ordinária do Sindicato dos Jornalistas. O prefeito voltou a defender a necessidade de vender a Celular até dezembro, em razão da concorrência com a Telecom Itália Móbile (TIM), que deve entrar no mercado local no ano que vem. A revitalização do centro da cidade, a transposição no cruzamento das avenidas Juscelino Kubitscheck e Higienópolis, além de um complexo de lagos na zona norte, foram obras que o prefeito pretende fazer com os recursos da venda.
  Nós fizemos uma reunião pública e chamamos todos os segmentos da sociedade, ela cumpriu seu objetivo colocando o assunto de forma mais aprofundada e cabe agora tirar dúvidas de forma localizada em determinados setores da sociedade, justificou.
  Além do prefeito, secretários municipais e o presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, também estão participando dos encontros setorizados. É para que as pessoas tenham um posicionamento muito claro do que o governo defende. Pode ser favorável ou contrário, mas têm que saber por que nós defendemos esse projeto, completou.
  Nedson também comentou o posicionamento atual da Câmara de Vereadores, onde a a maioria tem se mostrado contrária à revogação da lei que obriga a realização de um plebiscito autorizando a venda da Celular. Ele espera que um amplo debate possa mostrar aos vereadores que o plebiscito comprometeria o futuro da Secomtel Celular. Se o plebiscito for feito, está praticamente inviabilizada a venda da Sercomtel este ano. Se não houver plebiscito, a venda só deve ocorrer em novembro, argumentou.
  Apesar da resistência da Câmara, o prefeito procura se mostrar tranqüilo. Porém, ele já estuda o que fazer, caso os vereadores decidam manter o plebiscito. Vamos pensar isso no passo seguinte, a gente está analisando essa hipótese mas não gostaria de antecipar esse debate. Ainda quero crer que a Câmara vai compreender essa situação, ver os riscos que estaremos correndo, a desvalorização do patrimônio público na hipótese do plebiscito ser realizado, e irão autorizar a venda imediata da Sercomtel Celular, avaliou. O projeto que libera o Executivo de realizar o plebiscito está tramitando no Legislativo.
  Nedson também justificou que as ações da empresa não podem ser vendidas na Bolsa de Valores, como defende alguns vereadores. Segundo ele, a Sercomtel não é uma empresa de capital aberto, embora seja uma S/A com dois controladores (prefeitura e Companhia Paranaense de Energia – Copel). Segundo o prefeito, a Sercomtel não possui ações pulverizadas na sociedade.
  O segundo obstáculo apontado pelo prefeito é que o controle de uma empresa pública de telecomunicações só pode ir para as mãos de quem a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considerar habilitada. Existe um plano de outorgas do governo federal onde ele, que é o dono da concessão, faz essa autorização. Só quem tem autorização da Anatel poderia fazer essa compra. O leilão pode ser feito em bolsa, mas as ações não podem ser vendidas em bolsa como previa uma lei municipal, argumentou o prefeito.

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