O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), tomou posse ontem à tarde na Câmara dos Vereadores prometendo resgatar a dignidade na administração municipal. Ele assegurou que, mais do que prefeito, pretende ser ‘‘fiscal do patrimônio público’’. ‘‘Serei rigoroso com a destinação do dinheiro público e não permitirei o menor deslize de meus subordinados na aplicação do dinheiro’’, discursou.
A posse do novo prefeito e do vice, Luiz Carlos Bracarense (PPS), além dos 21 vereadores, foi acompanhada com galerias cheias, animadas pela Banda Municipal. Praticamente todo o secretariado de Nedson esteve presente. O ex-prefeito Jorge Scaff (PSB) e diversas autoridades também foram à Câmara prestigiar a cerimônia.
Nedson afirmou que a vitória nas eleições de outubro não pode ser atribuída aos seus méritos pessoais e sim ao que a sua canditatura representou. ‘‘Representou o que todo o cidadão de bem desejava, depois dos tristes, lamentáveis e vergonhosos fatos que provocaram, pela primeira vez na história de nossa cidade, a cassação de um prefeito’’, referindo-se ao ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), cassado pela Câmara e investigado pelo Ministério Público (MP) de Londrina acusado de corrupção. ‘‘Farei de tudo para que meu governo seja merecedor de ser incluído na galeria dos governos que honraram a nossa história’’, acrescentou.
Além das diversas autoridades que compareceram à posse do novo prefeito, esteve presente também o advogado Lauro Zanetti, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina e membro do Movimento pela Moralização na Administração Pública. O movimento tinha ameaçado boicotar a posse de Nedson por causa da nomeação do ex-deputado federal Paulo Bernardo (PT), que fez ‘‘dobradinha’’ na eleição de 98 com o então candidato a deputado estadual Antônio Carlos Belinati (sem partido), filho do prefeito cassado, para a secretaria de Fazenda.
Zanetti afirmou que o movimento se sentiu ‘‘vitorioso’’ quando Paulo Bernardo, na semana passada, foi ao MP disponibilizar a abertura de suas contas bancárias e também a quebra dos sigilos fiscal e telefônico. ‘‘Ele reconheceu que está sendo investigado’’, justificou.
Da Câmara, Nedson foi à prefeitura para a cerimônia de transmissão do cargo e posse dos novos secretários. Jorge Scaff – que cumpria ‘‘mandato tampão’’ após a cassação de Belinati – disse acreditar que cumpriu bem a sua missão. ‘‘Procurei fazer o melhor, não tomando decisões precipitadas diante de tantas dificuldades.’’
Sobre os protestos na última semana na prefeitura e também ontem, nas galerias da Câmara, Scaff reclamou que houve exagero por parte de dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). Ele reafirmou que só não pagou parte do 13º que faltou por ação dos sindicalistas. ‘‘Tinha dinheiro e eles me impediram de pagar.’’

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