Nedson prevê prova de fogo até eleição de 2008
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sábado, 17 de março de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A praticamente um ano e meio das eleições municipais, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), já trabalha pelo nome do deputado federal André Vargas (PT) para sucedê-lo no posto. Na avaliação dele, os petistas é que representarão a ''novidade'' em meio a um campo adversário já conhecido do eleitor londrinense. A expectativa, porém, vem acompanhada de uma constatação: a atual administração é a vitrine do partido para 2008, e, até lá, ele terá de enfrentar provas de fogo tão diversas quanto a possibilidade de uma terceira greve dos servidores e a conclusão de uma série de obras de infra-estrutura ainda pela metade, ou nem começadas.
Em visita à FOLHA, Nedson fez uma análise dos dois primeiros anos dosegundo mandato e de pontos que devem dar a tônica aos 21 meses que lhe restam. Da greve na Prefeitura à segurança pública em Londrina, ele defende que está no caminho certo: em cerca de uma hora de conversa, evocou uma dezena de vezes a ''responsabilidade'' como marca de sua gestão.
Greve dos servidores
Se entrou para a história da cidade como o primeiro prefeito reeleito, o petista também leva consigo o incômodo registro de chefiar o município durante a maior greve já ocorrida na Prefeitura de Londrina. Em 2006, foram 106 dias de paralisação contra a defesagem salarial de seis anos. Sem qualquer rodada de negociação, o risco de greve em 2007 persiste.
Pela primeira vez o prefeito afirma, textualmente, que não ofertou um índice de reposição mínima a todo o funcionalismo - especialmente cargos administrativos e de serviços gerais - por considerar esses salários ''muito superior aos de mercado''. Em contrapartida, ele admite que esse fator contribuiu para que apenas categorias localizadas (médicos, enfermeiros, advogados e assistentes sociais, por exemplo) tivessem reposição das perdas.
''Estamos no limite de gastos com pessoal, e foi opção minha elencar algumas categorias em vez de dar um percentual mínimo para todas. Não é possível, até porque a folha já cresce vegetativamente de 2% a 2,3% ao ano; teríamos de crescer no mínimo 5% na receita'', disse. ''E nossos funcionários de serviços gerais e administrativos não ganham pouco: eles têm os melhores salários do Paraná, e para uma jornada de seis horas! Já participei de muito movimento grevista, mas em todos os servidores levavam o contra-cheque nas manifestações. Gostaria que os do Município fizessem isso também; não fizeram.''
Como se prevenir para que uma nova greve não respingue no pleito de 2008? ''Não tem como. Acabo pagando o preço político de algumas posições. Prefiro dizer que administrei a cidade com responsabilidade.''
Segurança Pública
Em meio à crise de segurança pública vivida dia após dia pelo londrinense - déficit de policiais, aumento no número de assaltos e de sequestros-relâmpago e 20 homicídios só este ano, por exemplo -, o prefeito acredita que a solução é continuar o que já vem sendo feito.
''Na parte de investimento financeiro, estamos equipando a Polícia Militar (PM) e os Bombeiros com motos, veículos e radiocomunicadores. As câmeras de vigilância para o Centro são para este ano, só falta a PM passar os pontos e o sistema de operação para licitarmos a compra.'' A outra frente de atuação é política: ''Permanentemente pedimos ao Estado que amplie o número de policiais e o raio de atuação do projeto Povo. Porém, sabemos das dificuldades do governo''.
Debates como a criação de uma guarda municipal e a implantação da lei seca aos bares às 23 horas - defendidos abertamente pelo Legislativo - não são solução para a falta de segurança na cidade, alega Nedson. ''Quanto à guarda, só vejo qualquer possibilidade quando o Congresso der poder de polícia a ela, e a União, partida de recursos aos municípios a essa finalidade. Já a lei seca, se for aprovada, eu veto: a violência está vinculada à droga, não à vida noturna. Uma cidade que respira cultura e lazer, como Londrina, não pode ter isso.''
Sobre a queda no índice de criminalidade em cidades que adotaram a medida, ele credita o fato às características individuais dessas localidades. ''É porque elas não têm vida noturna. Não é o caso de Londrina, não é cabível esse tipo de comparação'', concluiu. No Estado, a lei seca vigora, por exemplo, em Maringá, Cascavel, Umuarama, Apucarana e Rolândia. Se ele se sente seguro na cidade? ''Me sinto. E sei que, sim, há criminalidade. Mas se for comparar Londrina com outros municípios, ela é muitíssimo mais segura até que a capital.''
Investimentos
Conforme Nedson, os próximos meses serão dedicados a três áreas de atuação, quando o assunto são obras públicas. Uma delas diz respeito às ações ambientais, como a revitalização de fundos de vale; a outra, às obras de infra-estrutura e ao futuro Teatro Municipal; a terceira, ao desenvolvimento econômico pela atração de indústrias. Nesse aspecto, ele cita a instalação do porto seco, a criação da Região Metropolitana e os laboratórios do Ipem, no Parque Tecnológico, como braços de apoio da industrialização.
''Algumas obras estão paradas ou nem começaram por questões judiciais envolvendo as empresas que jogaram o preço lá embaixo, nas licitações, tentando aditivos depois. Mas isso é minoria. Já o Teatro soltamos edital este ano - a parte cabível em meu governo é iniciar (em 2008) a construção, pois é uma obra de cinco anos'', calcula.


