Contrariando as estimativas do próprio secretariado, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), afirmou ontem que, se não inteiro, pelo menos boa parte do 13º salário do funcionalismo municipal deve ser paga até o próximo dia 20. A declaração aconteceu após a cerimônia de transmissão do cargo ao presidente da Câmara de Vereadores, Orlando Bonilha (PL), já que Nedson e o vice, Luiz Fernando Pinto Dias (PT), se licenciarão e reassumem dia 11 - um dia depois do aniversário de 72 anos da cidade.
Nas últimas semanas da greve que durou 106 dias, o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, foi enfático no argumento de que a paralisação afetara definitivamente o 13º para este ano. Nos meses de outubro e novembro, Sella garantiu, via imprensa, que o fechamento da sede administrativa havia prejudicado a arrecadação da dívida ativa e a negociação de impostos atrasados. Assim, a folha extra, paga em dezembro, só poderia ser repassada em março. A informação era repetida pelo secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias.
Ontem, Nedson comentou que o fluxo de contribuintes que têm buscado a prefeitura nos últimos dias deve possibilitar que a administração quite ao menos parte do 13º dos mais de 7 mil servidores da ativa e cerca de 2 mil inativos.
''Estamos trabalhando firme no setor de cobrança para arrecadar o suficiente para pagar. Se não conseguirmos agora, pagamos em fevereiro - creio que hoje é essa a preocupação do servidor municipal'', disse.
Em 106 dias de greve, a categoria reivindicava recomposição de 27,53% da inflação acumulada no ano. Pouco antes de terminado o movimento, Nedson chegou a afirmar que, normalizado todo o atendimento, discutiria a formação de uma comissão permanente de negociação, prevista no Estatuto do Servidor. ''Primeiro vou me concentrar no 13º e em não atrasar salários. Quanto à comissão, espero que voltando (das licenças), comece a discutir isso'', afirmou. O segundo período de afastamento do prefeito, cargo que dessa vez será ocupado pelo vice, será de 26 de dezembro a 14 de janeiro.
Secretariado - A respeito de mudanças nas secretarias e em outros postos do alto escalão, Nedson deixou implícito que o tema deve ser tratado no mês que vem. Entretanto, foi cauteloso: caso haja a reforma, será ''em função dos projetos dos dois anos restantes'', não do desempenho do quadro atual. Se o resultado das eleições deve influenciar eventuais escolhas? ''Quando se chega à metade do mandato, é natural fazer uma análise - e logicamente que entra nessa análise também a configuração política. Mas como no Paraná e no Brasil não mudou nada, isso não afetará substancialmente alguma reforma.''
Sercomtel -Sobre o interesse do governador Roberto Requião (PMDB) na estadualização da telefônica londrinense - da qual o Estado detém 45% das ações, via Copel, e o Município, 55% -, o prefeito licenciado se disse surpreso. E aparentemente favorável. ''Isso chamou até a minha atenção (Requião teria anunciado a intenção a um grupo de vereadores, semana passada). Mas vou aguardar que ele reassuma o governo (o peemedebista está em missão na Europa), e também o meu retorno, pela oportunidade de ele me detalhar essa proposta'', declarou, para concluir: ''A princípio parece que fortaleceria a Sercomtel, é interessante, mas preciso ter algo de concreto''.
Ele negou que haveria possibilidade de estadualização da Fixa e da Celular. ''É impossível (a estadualização de ambas), até por uma questão jurídica: a Fixa pode atuar em todo o Estado, tem autorização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A Celular, pela área de concessão restrita, não''.

mockup