O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), pretende iniciar amanhã mudanças em seu secretariado. A minirreforma, inicialmente prevista para ocorrer no ano que vem, acabou antecipada por um série de polêmicas envolvendo nomes do primeiro escalão. As especulações, segundo a Folha apurou, atingem o vice-prefeito e secretário de Obras, Luiz Carlos Bracarense (PPS), o presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida (PMDB), e a superintendente da Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) Cláudia Prochet (PPS).

O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Jurandir Guatassara, também deverá sair do governo.

Nedson vai aproveitar para anunciar a implantação de medidas de contenção já divulgadas na semana passada, como a redução de seu próprio salário (em 20%), dos secretários (10%) e dos cargos comissionados (5%), além da fusão de secretarias e o corte ou suspensão de benefícios trabalhistas.

Entre as mudanças, a saída de Bracarense é a mais comentada. O motivo seria o desgaste sofrido pela administração com o esvaziamento do Lago Igapó 2, um dos cartões postais da cidade. O lago foi esvaziado no final de maio para obras de revitalização, mas até agora o problema não foi solucionado.

O caso Igapó já provocou manifestações de descontentamento de parte dos vereadores, que pediram publicamente a saída de Bracarense. O próprio Nedson afirmou, na última semana, que o problema do lago é o segundo mais ''espinhoso'' de sua administração depois do equilíbrio das contas da prefeitura.

Já Cláudia Prochet, que também é do PPS, estaria de saída devido ao desgaste político sofrido pelo envolvimento em polêmicas com a Câmara de Vereadores. O Legislativo abriu uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para averiguar denúncias de superfaturamento em valores cobrados pela Acesf. A CEI já concluiu que a autarquia pratica preços 30% acima de mercado de produtos e serviços funerários.

Jorge Coimbra, chefe de gabinete e outro nome do PPS na administração municipal, deve permanecer no cargo apesar de ter assinado, quando acumulava a secretaria de Governo, decreto tornando de utilidade pública áreas vizinhas do local onde será instalado o campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC). As áreas incluem sete lotes de propriedade do chefe de gabinete.

Nedson ainda pretende fazer uma fusão entre o Ippul e a secretaria de Obras, inviabilizando a permanência de Guatassara. Além disso, o presidente do instituto teria desagradado Nedson por apoiar o vice-prefeito na decisão sobre o esvaziamento do Igapó. O nome para a nova pasta ainda estaria sendo definido pela administração.

Nedson confirmou ontem que pretende iniciar amanhã as alterações na equipe de governo, mas evitou tratá-las de reforma. ''O eixo não é a mudança de secretariado'', assegurou. O prefeito também não quis antecipar quem sai e quem fica no governo. Apenas sugeriu que as mudanças poderão refletir em novas mexidas no secretariado, que seriam realizadas nos próximos dias. ''Pode ter desdobramentos.'' (Colaborou Lúcio Horta)

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