O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), deve encaminhar hoje à Câmara de Vereadores pedido de autorização para a venda da Sercomtel Celular e para a extinção da lei que condiciona a comercialização à realização de um plebiscito. Nedson se reuniu ontem de manhã com 13 dos 21 vereadores, em seu gabinete, para expor os motivos que o levaram a venda a empresa, que pertence ao município e à Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Durante o encontro, Nedson falou também sobre a consulta popular. ‘‘O plebiscito vai colocar em debate as razões da venda da Sercomtel Celular e pode acabar desgastando a imagem e desvalorizando a empresa, pois vamos estar expondo os problemas’’, ponderou o prefeito petista. ‘‘Com o plebiscito, a população não vai ter o conteúdo técnico para votar e será pela não venda, até mesmo pela indignação gerada com o destino dos recursos obtidos com a venda da Sercomtel.’’ O prefeito se refere à venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, em maio de 1998, e cujos recursos teriam alimentado o esquema de corrupção na prefeitura.
‘‘Com esse anúncio do prefeito, estamos abrindo definitivamente o debate. A Câmara vai decidir sobre a realização ou não do debate’’, afirmou o presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB). ‘‘Eu, particularmente sou contra a não realização do plebiscito por uma questão de coerência’’, destacou o tucano. Ele e a vereadora Elza Correa (PMDB) são os autores da lei que garante a realização de um plebiscito, caso o município pretenda vender ações da Sercomtel. A lei, aprovada no ano passado, também prevê que a venda deve ser realizada através de Bolsa de Valores.
Segundo o prefeito, em breve a Sercomtel Celular não terá condições de competir no mercado da telefonia móvel, com o início da exploração da banda D, pela TIM Telepar, prevista para janeiro de 2002. Nedson também expôs a impossibilidade de expansão da área de atuação da Celular devido ao alto custo de uma nova área de concessão.
‘‘Esse é o quadro geral do mercado. Por isso decidi, junto com o presidente da Sercomtel, pela venda. E deve ser rápido, até o dia 31 de dezembro’’, justificou o prefeito. Ele disse que a TIM já manifestou interesse na compra da Celular, desde que o processo de venda seja iniciado antes da instalação dos próprios equipamentos na cidade.
Conforme Nedson, se a Câmara aprovar a privatizaçao da Celular até o final de julho, o edital de venda somente poderá ser publicado em novembro. ‘‘Uma empresa terá que fazer a avaliação e definir o modelo de venda. Esse processo deverá ser acompanhado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)’’, afirmou.
Nedson também disse que a destinação dos recursos que poderão ser obtidos com a venda dos 55% da Celular, que pertencem ao município (cerca de R$ 70 milhões) será definida, em conjunto com a Câmara, antes de concluída a venda. Na semana passada, o petista havia informado que pretende investir 10% dos recursos na expansão da telefonia fixa e defendeu um Plano de Investimentos, previamente aprovado pelo Legislativo.
Garantindo que não irá destinar recursos para o pagamento de dívidas ou o custeio da máquina, Nedson disse que, entre outras obras, tem como prioridades a construção de um complexo de lagos na região norte e a reformulação da área central. O prefeito defende ainda a construção da transposição no cruzamento das avenidas Higienópolis com a a Juscelino Kubitscheck (área central), além da pavimentação em bairros e distritos e construção de creches.

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