Nedson nega relação entre as doações
O prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou ontem através de nota oficial que a doação do terreno para a Hayonik não tem qualquer relação com ''uma suposta'' doação financeira feita pelos proprietários da empresa para a sua campanha. ''A ata da comissão, aprovando a doação do terreno, é datada de novembro de 2003, um ano antes do período eleitoral. O projeto de lei foi enviado à Câmara de Vereadores em fevereiro de 2004 e aprovado por unanimidade em abril. É absurda a tentativa de associar uma suposta contribuição financeira feita por uma pessoa física e não pela empresa, em setembro, como se uma coisa estivesse ligada à outra'', afirmou.
Na nota, o prefeito ainda elogiou o empreendimento, que gerou novos empregos. ''Seguramos uma empresa que queria sair da cidade por falta de incentivo, fazendo a doação deste terreno de 12 mil metros quadrados. A Hayonik tem hoje no seu quadro cerca de 130 empregados e está apostando na sua expansão'', disse. Nedson lembrou que, inicialmente, a empresa iria receber um terreno de 9 mil metros quadrados e investiria cerca de R$ 1 milhão. No novo projeto, com 12 mil metros quadrados, a empresa investiu cerca de R$ 2,5 milhões.
Ontem, o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Gabriel Ribeiro de Campos, admitiu que mesmo não sendo da coordenação da campanha petista, pediu ''apoio'' para a reeleição de Nedson. ''Durante todo o processo da campanha eleitoral, como cidadão, pedi apoio à campanha do prefeito Nedson. Aqueles que quiseram fazer apoio financeiro fizeram diretamente à coordenação da campanha. Pedi apoio não só para eles (Hayama), mas para todas as pessoas do meu relacionamento'', argumentou, reconhecendo que o único contato com o casal Hayama foi durante o processo da doação do terreno. Campos disse não ter se preocupado com uma possível relação entre as doações. ''Nunca me preocupei com esse tipo de coisa porque o processo de doação do terreno iniciou-se em 2003 e foi aprovado no início do ano de 2004 e até o final da campanha passaram-se meses'', afirmou.
O presidente do PT de Londrina e um dos coordenadores da campanha, Jacks Dias, disse que os fatos serão respondidos em juízo. ''Por que (os cheques) foram parar lá (conta de Augusto)? Não tínhamos conhecimento e não sabemos porque. Em juízo a gente vai responder, existe um inquérito'', argumentou, salientando a confiança em Augusto. ''O Augusto sempre foi da nossa confiança e sempre continuará sendo, embora tenha acontecido esse problema que estaremos respondendo no momento adequado. Não houve triangulação do dinheiro mas algum descuido, uma precipitação. Se for esse o único problema não diminui a confiança'', concluiu. A reportagem tentou entrar em contato com Augusto e com o advogado do PT, João dos Santos Gomes Filho, mas eles não atenderam os telefones celulares. (C.O.)





