Nedson nega influência de André Vargas na CEF
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - Em depoimento prestado na tarde de ontem, via videoconferência de Brasília, durante audiência realizada na Justiça Federal do Paraná, o ex-prefeito de Londrina por dois mandatos (2001 e 2008), que atualmente é consultor da área de presidência da Caixa Econômica Federal (CEF), Nedson Luiz Michelleti informou que mantém um relacionamento político e de amizade com o ex-deputado André Vargas até hoje, entretanto, afirmou que desconhece que o londrinense tivesse alguma influência ou poder de decisão dentro do órgão.
Nedson foi convocado como testemunha de defesa de Vargas dentro do processo que apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que o ex-parlamentar utilizou duas empresas de fachadas (LSI e Limiar) que estavam em seu nome e nos nomes de seus irmãos para receber dinheiro desviado de contratos da agência Borgui/Lowe justamente com a Caixa e com o Ministério da Saúde (MS). Estes valores, segundo os procuradores, chegam a princípio a R$ 1,1 milhão.
"Ele (Vargas) mantinha um relacionamento com a Caixa por participar da Frente Parlamentar para a Regionalização da Mídia (que atuava em favor de rádios e emissoras do interior do País) e se relacionava com a Caixa por causa disso. Ele atuou em diversos assuntos de defesa da Caixa, projetos que estavam em andamento, mas também falávamos com outros deputados", ressaltou o ex-prefeito de Londrina.
Nedson negou que o fato de ser amigo do ex-deputado tenha favorecido sua carreira dentro do órgão. "Sou funcionário desde 1981 e estou trabalhando em Brasília desde 2011. Fui convidado para o cargo pela ex-presidente da Caixa, Fernanda Maria Coelho em 2010", explicou. Ele ainda ressaltou que participou de diversos jantares com o ex-deputado na presença do ex-diretor de marketing da Caixa, o também paranaense Clauir Luis Santos, mas que desconhece que o político tenha tido qualquer influência na indicação de seu ex-colega no órgão. "O Clauir sempre foi próximo do PT, desde a época em que era meu colega de Caixa no Paraná. Mas desconheço que seja por isso que tenha assumido o cargo", completou.
Clauir também foi arrolado por Vargas como testemunha de defesa na audiência de ontem. Agora aposentado, Santos reforçou que o ex-deputado sempre ligava pedindo que ele atendesse bem pessoas e representantes de empresas de mídia do Paraná que já tinham reuniões agendadas e que iriam apresentar projetos para serem analisados pelo órgão. "Por fazer parte da Frente Parlamentar para Regionalização da Mídia ele sempre estava me ligando de seu gabinete, mas são coisas que todos os parlamentares fazem. Mas parava por aí. André Vargas não solicitou vantagens em contratos de marketing, jamais", ressaltou.
O ex-diretor de marketing da Caixa disse também que não tinha uma relação de amizade com Vargas, e que não foi indicado ao cargo pelo político porque assumiu o cargo em 2004, e só foi conhecer o londrinense dois anos depois. "Ele me ligava muito, tentava agendar com representantes de empresas. Uma vez pediu para eu receber o presidente da Associação dos Diários do Interior do Brasil (ADI Brasil), que representa cerca 200 jornais. Eles iam para Brasília levar projetos de mídia para a Caixa, como venda de espaço publicitário, por exemplo. Me lembro de uma vez que ele me ligou por volta das 20h para atender uma jornalista de Curitiba, já estava de saída mas atendi. O nome dela era Joyce Hasselmann e o Vargas pediu para atendê-la porque ela estava querendo criar um blog. E não foi uma, foram duas, três vezes", completou Clauir.
A advogada de Vargas, Nicole Trauczynski informou que a audiência foi positiva para seu cliente. "Todos os que foram ouvidos negaram que André Vargas intermediou qualquer contrato de publicidade junto a Caixa Econômica Federal", frisou a defensora ao deixar a audiência. O advogado de Ricardo Hoffmann saiu sem falar com a imprensa. Alexandre Loper, defensor de Leon Vargas, disse ainda não tem uma linha de defesa definida, e que vai esperar a conclusão das oitivas de todas as testemunhas para começar a preparar seu cliente para o interrogatório.


