O prefeito Nedson Micheleti (PT) distribuiu ontem para a imprensa, após uma entrevista coletiva em que negou a existência de caixa 2 na campanha de reeleição, uma nota fiscal emitida em nome do diretório nacional do PT, no valor de R$ 109.192,32 referente à compra de 25.632 camisetas. A intenção era demonstrar a origem das 20 mil camisetas recebidas como doação na campanha. A ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia, afirmou em depoimento à Justiça Eleitoral, que as camisetas teriam vindo de Minas Gerais para Londrina em caixas da DNA Produções, que supostamente pertenceria ao publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como um dos operadores do mensalão.
No entanto, a nota traz o dia 15 de outubro de 2004 como data de emissão, enquanto a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral e disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirma que as 20 mil camisetas, que totalizaram R$ 85,2 mil, foram repassadas quase um mês antes da emissão da nota fiscal, no dia 20 de setembro de 2004.
Segundo o tesoureiro do PT, Francisco Moreno, a diferença de datas pode ter ocorrido por equívoco ou a nota ter sido emitida somente após o término do serviço. ''Às vezes, na hora de lançar na planilha, a pessoa possa ter confundido a data do recibo que a gente emite para o PT nacional, mas também podem ter vindo as camisetas e depois a nota. Vou ter que checar isso depois'', argumentou.
Durante a entrevista, Nedson caiu em outra contradição. O prefeito afirmou com veemência que não conversou com seu irmão Nilton Micheleti, após ele ter prestado depoimento à Justiça Eleitoral, na quarta-feira, confirmando que Soraya trabalhou na campanha sem carteira de trabalho registrada e que efetivamente recebeu pelos serviços. ''Não conversei com ele sobre isso depois do fato ocorrido'', afirmou. Nilton declarou à Justiça Eleitoral ontem que conversou com Nedson na quinta-feira, no gabinete.
Nedson também refutou o valor que Soraya teria atribuído para a campanha, R$ 6,5 milhões nos dois turnos. ''Isso é campanha para governador, não para prefeito. Fizemos a campanha sem nenhum comício e se tivesse uma movimentação financeira desse porte não passaríamos o sufoco que passamos no final da eleição, quase que perdendo a eleição. Isso é impossível de se levantar um volume desse'', argumentou.
O prefeito disse confiar plenamente nas pessoas que conduziram a campanha e colocou à disposição da Justiça o seu sigilo bancário, do PT e seus dirigentes. ''Quem tem mais interesse de que tudo aquilo que foi falado pela senhora Soraya seja apurado e investigado, essa é uma determinação minha para as pessoas que tiveram relação comigo e meu partido, para que tudo seja apurado, detalhado, sigilo bancário, notas. Ajudando a Polícia Federal, a Justiça para que se mostre claramente que na minha campanha não teve nada disso que essa senhora está falando. Não queremos e nem vamos permitir que essa situação nacional seja implantada em Londrina, criando um fato político que não é verdadeiro'', disse.

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