Nedson manda descontar dias parados
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), anunciou ontem um decreto determinando o desconto dos dias parados dos servidores que aderiram à greve. O decreto, que deverá ser baixado hoje, prevê que até oito dias de falta ao trabalho sejam descontados em quatro vezes, nas folhas de pagamento de abril a julho. Os outros 23 dias de paralisação poderão ser compensados com horas extras trabalhadas ou que poderão ser feitas nos próximos quatro meses.
''(O desconto) já estava decidido antes da greve. Não houve prestação de serviço. Pegamos os finais de semana como critério para poder fazer tratamento igualitário entre os servidores e os professores, que terão que repor as aulas. Não considero justo (que os dias parados não sejam descontados). Se não descontarmos teremos que pagar horas extras para os professores reporem as aulas'', justificou Nedson. Os dias parados não terão impacto na vida funcional dos servidores.
A decisão do prefeito foi tomada antes de qualquer negociação com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), como previsto no acordo assinado dia 5, pelo prefeito e pelo presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, que colocou fim à paralisação que durou 30 dias. ''Os dias parados serão negociados imediatamente, sem prejuízo na avaliação dos servidores e servidoras em estágio probatório ou não, bem como assegurados os demais benefícios e vantagens que não estejam vinculados com a referida negociação (anuênios, licença-prêmio, aposentadoria, gratificações, abonos, contagem do tempo de serviço, férias,etc.)'', diz o item 4 do acordo. ''Estamos abertos a discutir mas lá na frente. Tenho que tomar uma decisão agora. A questão dos dias parados está na pauta de reivindicações e eles vão continuar reivindicando. Foi uma decisão administrativa para que pudéssemos emitir a folha de pagamentos'', explicou o prefeito.
O pagamento de março, feito parcialmente através de um adiantamento no dia 31, deverá ser depositado integralmente amanhã. Questionado sobre como se sentia estando do lado patronal em uma greve, Nedson afirmou estar ''tranquilo''. ''Na época em que fiz greve gostaria de ter encontrado um patrão como eu, que mostrasse com transparência os dados. Fomos muito sinceros desde o começo. Alertamos o sindicato mas ele levou a categoria a uma aventura.''
O prefeito divulgou sua decisão após uma reunião com 14 dos 18 vereadores. Segundo o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), eles foram apenas ''comunicados'' da decisão do prefeito. ''Eu achava que ele iria negociar com o Sindserv, como está no acordo assinado. Foi uma surpresa porque achei que iriam debater para chegar a um denominador comum. Ele não nos chamou para um diálogo, simplesmente comunicou'', relatou. ''Uma grande pergunta que pairou foi o por quê dessa decisão sem ouvir o sindicato, e ele disse que era de foro íntimo'', disse o vereador Sidney de Souza (PTB). ''Argumentamos para que não houvesse o desconto. Não foi o ideal, mas o possível na conjuntura'', avaliou o líder do prefeito, Gláudio Lima (PT).


