O candidato do PT à prefeitura de Londrina, Nedson Micheleti, disparou na corrida eleitoral e aparece com 62,9% das intenções de voto, conforme mostra a Pesquisa Folha. O adversário do petista no segundo turno, Homero Barbosa Neto (PDT), está com 22,4% – ou seja, 40,5% atrás de Nedson.
A consulta foi realizada nos dias 4 e 5 deste mês, quando foram entrevistadas 603 eleitores. A Pesquisa Folha mostrou ainda que 11,4% dos entrevistados ainda não sabem em quem vão votar; 1,7% declarou que irá votar em branco enquanto 1,7% afirmou que pretende anular o voto no próximo dia 29. A margem de erro é de 3,5% para mais ou para menos.
A grande diferença de percentual entre Nedson e Barbosa é explicado por uma série de fatores, segundo o consultor contratado pela Folha, professor Alexandre do Espírito Santo. Uma das possíveis razões para o crescimento de Nedson, segundo ele, é a chamada ‘‘teoria do rebanho’’.
‘‘Quando um dos candidatos está surpreendendo, as pessoas tendem a aderir e a apoiá-lo’’, alegou. ‘‘O rebanho precisa de um líder.’’
Além disso, o consultor observa que os eleitores podem ter sido influenciados por comentários recentes de que Barbosa Neto estaria recebendo influência excessiva de outras pessoas – e, portanto, não estaria preparado para administrar o município. Os ataques pessoais que o pedetista sofreu durante o primeiro turno também podem ter afetado o desempenho do candidato no segundo turno da disputa.
Espírito Santo observa ainda que pode-se associar o declínio de Barbosa Neto ao seu alto índice de rejeição, demonstrado nas duas últimas consultas da Folha – 16,8% na primeira pesquisa (em agosto) e 21,9% na segunda (publicada em setembro).
‘‘Agora ele aparece pagando por esta rejeição e o Nedson está ganhando novos eleitores’’, observou. Por outro lado, ressaltou o consultor, o petista sempre teve o menor índice de desaprovação entre os cinco concorrentes. Nas duas consultas anteriores realizadas pela Folha, o índice de rejeição a Nedson não chegou a 6%.
O consultor destaca ainda o índice de eleitores indecisos, que pretendem votar em branco ou nulo – 14,8%. ‘‘Eles sempre vão surpreender em qualquer eleição.’’
A Pesquisa Folha consultou os eleitores também sobre a possiblidade de mudança de voto. Do total de entrevistados, 75,8% declararam que não pretendem mudar de candidato até o dia das eleições. Já 18,7% responderam que podem alterar seus votos; 5,3% não souberam dizer e 0,2% não respondeu.
Na eleição do dia 1º, disputada por cinco candidatos, Nedson e Barbosa Neto passaram para o segundo turno praticamente empatados – eles obtiveram, respectivamente, 27,24% e 27,14% dos votos. Nedson foi considerado a grande surpresa do pleito porque acabou desbancando o candidato Luiz Carlos Hauly (PSDB), que terminou em terceiro lugar.
O desempenho do petista nessas eleições pode ser considerado surpreendente, já que ele começou a corrida eleitoral ocupando a ‘‘lanterninha’’ das pesquisas de intenção de voto. Mas aos poucos, correndo por fora, foi atropelando os concorrentes.
Na primeira Pesquisa Folha, realizada nos dias 12, 13, 14 e 15 de agosto, o petista apareceu com apenas 4,4% de intenção de votos, atrás de Luiz Carlos Hauly, do PSDB (27,4%), Barbosa Neto (17,7%), Luiz Eduardo Cheida, do PMDB (11,4%) e Farage Kouri, do PFL (com 7%).
O ‘‘fraco’’ desempenho nas pesquisas, no início da campanha, poupou Nedson de ataques. Em todos os debates – e foram muitos, na televisão e também em encontros promovidos por escolas e associações de classe – o petista empre manteve um estilo ‘‘light’’, evitando o confronto direto com os adversários. Enquanto os outros candidatos brigavam entre si, Nedson procurou apresentar propostas.
A estratégia parece ter dado certo. Na segunda pesquisa divulgada pela Folha, cujos dados foram coletados nos dias 23, 24 e 25 de setembro, Nedson pulou de 4,4% para 13%, ficando empatado tecnicamente com Cheida (14,1%) e Barbosa (15,1%). Hauly manteve a dianteira, com 30% das intenções, mas acabou superado nas urnas pelo candidato do PT – que manteve a tendência de crescimento. (Colaborou Lúcio Horta)